Enviado dos EUA retoma contatos com Israel e Palestina

Negociações estão paradas desde dezembro de 2008; recomeço é considerado 'urgente' por Obama

Efe,

08 de outubro de 2009 | 16h10

O enviado dos EUA para o Oriente Médio, George Mitchell, retomou nesta quinta-feira, 8, as conversas para aproximar israelenses e palestinos da mesa de negociações, em meio a uma nova onda de tensão em Jerusalém.

 

Mitchell se reuniu com ministros israelenses e se encontra nesta sexta-feira com o chefe de governo do país, Benjamin Netanyahu. O enviado americano se mostrou esperançoso de que o diálogo pela paz será reiniciado o mais brevemente possível. "Continuaremos com nossos esforços para conseguir um relançamento o mais cedo possível das negociações entre israelenses e palestinos", declarou em uma breve entrevista em Jerusalém com o presidente israelense, Shimon Peres.

 

A intenção do governo americano, segundo Mitchell, é buscar a paz entre Israel e seus vizinhos árabes, mas um "passo essencial" nesse processo é resolver o conflito palestino-israelense.

 

Fontes governamentais americanas declararam a diversos veículos de imprensa israelenses que a retomada do diálogo está sendo buscada com "urgência", apesar de não haver a expectativa de que a atual visita de Mitchell conclua com um anúncio esse sentido.

 

As negociações estão praticamente estagnadas desde o final de 2008, quando houve o anúncio de eleições antecipadas em Israel. Além disso, entre dezembro do ano passado e janeiro de 2009, 1.400 palestinos morreram em uma ofensiva militar israelense na Faixa de Gaza.

 

A eleição de um primeiro-ministro direitista em Israel levou os palestinos a condicionar qualquer reatamento dos contatos à interrupção de forma absoluta das construções nos assentamentos judaicos, o que não aconteceu até agora.

 

A maioria das reuniões de Mitchell com israelenses e palestinos procurar aproximar as duas partes para que deixem de lado suas condições e definam um calendário para o diálogo.

 

Nesta sexta-feira e no sábado, o mediador americano se reunirá com líderes palestinos em Ramala durante um fim de semana repleto de tensão devido a uma greve geral convocada pelo movimento nacionalista palestino Fatah, do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

 

Em comunicado divulgado nesta quinta, o Comitê Central do Fatah considera que os novos assentamentos são "uma tentativa do Governo direitista de Israel de voltar ao ciclo de violência para se esquivar de seus compromissos no processo de paz", que parecem desde 2003 no Mapa de Caminho.

 

A greve é uma resposta a uma semana de confrontos em Jerusalém depois que, segundo fontes palestinas, um grupo de colonos judeus escoltados pela Polícia israelense entrou no último dia 27 no santuário de Al-Aqsa, na Esplanada das Mesquitas.

 

Segundo a Polícia israelense, os judeus que visitaram a Esplanada eram turistas, argumento que não acalmou a onda de protestos por parte da comunidade árabe de Israel e dos palestinos de Jerusalém Oriental e da Cisjordânia.

 

A mensagem dos EUA a israelenses e palestinos é que o retorno às negociações reduzirá de forma considerável as divergências atuais e impedirá incidentes como os da Esplanada.

 

"Os fatos no Monte do Templo (como os judeus chamam a Esplanada) e o debate sobre o relatório Goldstone (segundo o qual Israel e o movimento palestino Hamas cometeram crimes de guerra durante a ofensiva em Gaza) demonstraram a urgência de retornar às negociações e resolver as questões principais do conflito", afirmou uma fonte oficial americana ao jornal Ha'aretz.

 

"O presidente (americano, Barack Obama) está impaciente com a atual situação e espera que as partes avancem", disse a fonte. No mesmo sentido, Shimon Peres disse que "as expectativas estão crescendo e o tempo é cada vez mais curto".

 

Em meio à tensão na região, o ministro de Assuntos Exteriores israelense, Avigdor Lieberman, deu polêmicas declarações pouco antes de se reunir com Mitchell. O chefe da diplomacia israelense disse achar "pouco realista" pensar na assinatura de um acordo de paz na atualidade e, em declarações ao programa de rádio "Voz de Israel", defendeu novos "acordos interinos", um cenário que a esta altura do conflito é descartado pelos palestinos e pela comunidade internacional.

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