Espanha pede que Irã volte a negociar sobre seu programa nuclear

Em reunião com chanceler iraniano, Moratinos pediu 'fim das dúvidas' sobre progama atômico de Teerã

estadão.com.br,

12 de julho de 2010 | 19h03

MADRI- O ministro espanhol de Assuntos Exteriores, Miguel Angel Moratinos, pediu nesta segunda-feira, 12, a seu colega iraniano, Manucherh Mottaki, que seu país volte a negociar com a comunidade internacional sobre seu controverso programa nuclear, segundo a agência de notícias AFP.

 

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Os dois ministros se reuniram hoje em Madri para discutir as principais questões da agenda bilateral e da atualidade regional e internacional, como programa atômico iraniano e o processo de paz no Oriente Médio.

 

O chefe da diplomacia espanhola "pediu a seu colega iraniano a volta das negociações para resolver por esta via todas as questões pendentes", indicou o Ministério de Relações Exteriores espanhol em um comunicado.

 

Ainda segundo o texto, Moratinos mostrou a Mottaki a plena disposição da Espanha para contribuir de maneira ativa para melhorar a relação entre o Irã e a comunidade internacional, e incitou seu homólogo a "dissipar as dúvidas geradas sobre a finalidade do programa nuclear iraniano".

 

Na semana passada, o Irã afirmou estar disposto a retomar em setembro as negociações com o grupo 5+1 (EUA, França, Reino Unido, Rússia, China e Alemanha) sobre seu programa nuclear com a condição de que os objetivos deste diálogo sejam definidos antecipadamente.

 

O Irã insiste em que seu programa nuclear tem fins civis e pacíficos, mas os países ocidentais acreditam que Teerã pretende construir uma bomba atômica, motivo pelo qual foi aprovada uma quarta rodada de sanções a República Islâmica no Conselho de Segurança da ONU.

 

No domingo, o Irã anunciou que possui 20 kg de urânio enriquecido a 20%. Nesta segunda, o presidente russo, Dmitri Medvedev, declarou que "o Irã se aproxima da possessão do potencial que, em princípio, pode ser usado para fabricar uma arma nuclear".

 

Execuções

 

Moratinos também pediu ao chanceler iraniano que "sejam canceladas as execuções anunciadas no Irã, que tanta preocupação têm causado na comunidade internacional". O chanceler espanhol reiterou a Motakki a oposição da União Europeia e da Espanha à aplicação da pena de morte, sob qualquer circunstância.

 

No domingo, a Justiça iraniana decidiu suspender até nova ordem a pena de morte por apedrejamento a Sakineh Mohammadi Ashtiani, mulher de 43 anos culpada por adultério. A pena imposta a Ashtiani causou numerosas condenações internacionais.

 

Ao menos outras oito mulheres e três homens correm risco de serem apedrejadas no Irã, segundo a Anistia Internacional.

 

Com informações da Agência Efe

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