AP
AP

Especialista nuclear reformista morre em atentado no Irã

Governo acusa grupos oposicionistas armados pelos EUA e por Israel pelo assassinato de professor universitário

Efe,

12 de janeiro de 2010 | 08h19

Um professor universitário iraniano, especialista em energia nuclear, morreu nesta terça-feira, 12, devido à explosão de uma bomba em frente à casa dele, no norte de Teerã, informou a televisão estatal "PressTV".  Massoud Mohammadi era um dos 240 professores da Universidade de Teerã que divulgaram publicamente seu apoio ao reformista Mir Hossein Mousavi antes da eleição do ano passado.

O professor foi vítima de um atentado com uma motocicleta-bomba acionada aparentemente por controle remoto no bairro de Qeytariyeh.

 

Pouco após a notícia, o procurador-geral de Teerã, Abbas Jaafari Dowlatabadi, confirmou o ataque. "Uma moto estacionada junto ao automóvel dele explodiu esta manhã, quando o professor entrava no veículo", afirmou.

"Seu cadáver foi levado ao escritório do legista. Foi aberta uma investigação para encontrar os culpados e conhecer os motivos", acrescentou Dowlatabadi, citado pela agência de notícias local "Irna".

Governo acusa EUA e Israel

O ministério das Relações Exteriores culpou grupos de oposição armados pelos EUA e por Israel pela morte de Mohammadi.

 

"O assassinato de Massoud Ali-Mohammadi foi resultado de uma bomba plantada por agentes americanos e sionistas", afirmou a TV estatal Irib, citando um porta-voz do ministério.

A rede oficial em árabe "Alalam" citando fontes "bem informadas", mas não identificadas, sugeriu que o ataque poderia ser obra do movimento de oposição no exílio Mujahedin Khalq, que o regime iraniano considera terrorista.

Crise política

VEJA TAMBÉM:
especialEspecial: O programa nuclear do Irã
especialCronologia: O histórico de tensões

É o primeiro atentado destas características do qual se tem notícia em Teerã, desde que, em 13 de junho, explodiu a crise política e social que divide o país.

Naquela data, centenas de milhares de pessoas saíram às ruas do país para protestar contra a reeleição do presidente, Mahmoud Ahmadinejad, que a oposição considera fruto de uma "fraude maciça".

A crise se agravou em 27 de dezembro, dia sagrado da Ashura, quando os protestos voltaram a cair na violência, com a morte de pelo menos oito pessoas, segundo números oficiais. Além disso, nos dias seguintes, foram detidos mais de 100 ativistas da oposição, jornalistas e estudantes universitários.

 

 

As universidades se transformaram nos últimos meses em um dos cenários da disputa política e social que divide o regime iraniano.  Além da suposta expulsão de docentes afins à oposição, estão os protestos dos estudantes e o boicote a aulas e provas em diversas cidades do país.

Tudo o que sabemos sobre:
Irãquestão nuclear

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.