Estados Unidos alertarão a Síria sobre envio de armas ao Hezbollah

Advertência será feita durante discurso de Hillary; secretária também falará sobre sanções ao Irã

29 de abril de 2010 | 20h13

Efe

 

WASHINGTON- O Departamento de Estado dos Estados Unidos advertirá nesta quinta-feira, 20, a Síria sobre o efeito desestabilizador do suposto envio de armas de longo alcance a grupos como o Hezbollah, que ameaçam a segurança em Israel.

 

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O porta-voz do Departamento de Estado, Phillip J. Crowley, adiantou o conteúdo do discurso que a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, pronunciará no fim da noite no Comitê Judeu Americano.

 

Em sua fala, Clinton "abordará as verdadeiras ameaças enfrentadas por Israel e expressará nossas preocupações sobre o comportamento do governo sírio e o suprimento de armas a vários grupos", em violação das resoluções da ONU, disse Crowley.

 

Israel acusou a Síria de prover ao Hezbollah mísseis Scud de longo alcance, acusação que Damasco negou.

 

"Este discurso é o último em uma série de movimentos que nosso governo está fazendo para demonstrar a Israel que seus laços com os Estados Unidos permanecem fortes, apesar das recentes tensões", afirmou o porta-voz.

 

Clinton também discursará sobre as negociações em andamento no Conselho de Segurança da ONU para estabelecer sanções mais duras contra o Irã pelo empenho do país em continuar com seu programa nuclear.

 

O porta-voz do departamento de Estado reconheceu que os Estados Unidos estão preocupados com o fornecimento de mísseis por parte da Síria ao Hezbollah, o que gera um efeito "desestabilizador" nas conversações de paz no Oriente Médio.

 

"Queremos que a Síria tenha um papel mais construtivo na região", disse Crowley, destacando a necessidade dos Estados Unidos em ter um embaixador ativo em Damasco, o que não ocorre há cinco anos.

 

Hezbollah

 

O líder do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah, se recusou a confirmar ou negar acusações israelenses de que seu grupo obteve mísseis Scud de longo alcance da Síria, e disse que não acredita que Israel esteja buscando um pretexto para uma guerra.

 

Nasrallah, em entrevista a um canal do Kwait nesta quinta, afirmou que as declarações eram uma tentativa de "intimidar" seu grupo libanês armado e a Síria.

 

"Eu não posso dizer que isso (a guerra) está próxima. Eu e meus irmãos no Hezbollah vemos que toda essa intimidação não esconde atrás de si uma guerra. Ao contrário, se houvesse silêncio e quietude, aí todo mundo teria de ficar vigilante", disse.

 

"Mas quando você vê todo esse barulho americano e israelense, isso significa que eles querem usar esse barulho para alcançar certas vantagens políticas, psicológicas e de segurança sem tomar o passo da guerra", completou.

 

Israel e o Hezbollah lutaram uma guerra que durou um mês em 2006, durante a qual a guerrilha lançou vários mísseis, a maioria de curto alcance, no estado judeu de Katyusha.

 

Israel está preocupado que o grupo islâmico esteja repondo seu arsenal para atacar novamente se o Irã se sentir ameaçado de ser atacado por causa de seu programa nuclear.

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