Estados Unidos ‘desaconselham’ Brasil a vender etanol ao Irã

Funcionários da Casa Branca alertam que transação pode ser interpretada como violação das sanções

Patrícia Campos Mello, correspondente,

09 de junho de 2010 | 23h18

WASHINGTON- O governo americano afirmou nesta quarta-feira, 9, que "não seria uma boa ideia" o Brasil vender etanol ao Irã. "Eu não sei detalhes específicos sobre a iniciativa, mas (vender etanol ao Irã) seria muito arriscado, uma vez que a sanção aprovada pelo Conselho de Segurança reconhece que há uma ligação potencial entre o setor de energia do Irã e atividades de proliferação", disse um alto funcionário da Casa Branca.

 

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Questionado se os Estados Unidos iriam desencorajar empresas brasileiras a venderem etanol aos iranianos, o funcionário afirmou: "Qualquer iniciativa que burle as sanções prejudica nosso objetivo, então não é uma boa ideia."

 

A possibilidade de o Brasil suprir parte das necessidades de combustível do Irã com etanol brasileiro foi levantada pelo ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, em visita a Teerã em abril. Ele afirmou que o Irã está interessado em comprar etanol brasileiro por causa dos problemas que enfrenta para comprar gasolina diante dos bloqueios comerciais que sofre.

 

Funcionários da Casa Branca convocaram uma entrevista com alguns jornalistas para discutir a posição dos Estados Unidos em relação às sanções aprovadas nesta quarta e ao acordo de troca de combustível mediado pelo Brasil e pela Turquia.

 

Um deles reduziu a importância das divergências de Washington e Brasília, apesar do voto do Brasil contra as sanções. "Nós temos divergências táticas, mas os mesmos objetivos, nem a Turquia nem o Brasil querem ver armas nucleares no Irã", disse o funcionário.

 

Segundo ele, esperar para ver os resultados da proposta brasileira de troca de combustível não valia a pena, porque a proposta tinha uma série de "deficiências", como não abordar a continuidade do enriquecimento de urânio a 20% no Irã. Segundo eles, a carta de Barack Obama ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixava claro que nem mesmo um acordo não tornaria as sanções desnecessárias.

 

Para Washington, o fato de a resolução ter sido aprovada com dois votos contrários não afeta sua legitimidade. "Doze países da África, Europa, Américas votaram a favor... Turquia e Brasil ficaram sozinhos."

 

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