Estados Unidos pressionam Síria para libertar advogado oposicionista

Mohannad al-Hassani foi condenado a três anos de prisão por 'enfraquecer o moral nacional'

24 de junho de 2010 | 20h14

WASHINGTON- O governo dos Estados Unidos pressionou nesta quinta-feira, 24, a Síria para libertar um advogado sírio conhecido internacionalmente por defender figuras da oposição mas que foi condenado a três anos de prisão por "enfraquecer o moral nacional".

 

Mohannad al-Hassani,de 43 anos, foi preso no ano passado depois de fazer uma campanha contra a acusação, a qual ele chamou de "medieval", mas que é usada regularmente pelo governo sírio contra opositores políticos.

 

"Nós consideramos a condenação de Hassani a três anos de prisão como um exemplo da omissão da Síria em cumprir com os mínimos padrões dos direitos humanos internacionais", afirmou o porta-voz do Departamento de Estado, Mark Toner, em um comunicado via e-mail. Hassani recebeu a sentença de um tribunal de Damasco nesta semana.

 

"Culpar Hassani por acusações de espalhar informações falsas que enfraqueceram o moral e a dignidade do Estado envia uma mensagem clara ao mundo: a Síria não irá tolerar formas pacíficas de liberdade de expressão", acrescentou Toner.

 

Além de libertar Hassani, a Síria também deveria soltar Haitham al-Maleh, um advogado de 79 anos preso em outubro, e Ali al-Abdallah, que saiu da prisão de Adra na semana passada, mas foi imediatamente preso novamente. Os dois também são acusados pelo mesmo crime de Hassani.

 

Abdallah estava entre 12 pessoas presas em 2007 depois de tentarem retomar a Declaração de Damasco, um movimento em prol dos direitos humanos nomeado após de um documento ter sido assinado em 2005 por membros da oposição.

 

O texto pedia que a proibição da liberdade de expressão e de reuniões fosse revogada, e que a lei de emergência, que governa a Síria desde 1963, quando o partido Baath tomou o poder e baniu qualquer oposição, fosse abolida.

 

O governo sírio intensificou as prisões de opositores políticos nos últimos dois anos. Apesar disso, o país se integrou à reabilitação internacional após anos em isolamento por causa de disputas com o Ocidente pelo papel do país no Líbano e no Iraque, e pelo apoio dado a grupos militantes como o Hezbollah.

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