Estrangeiros começam a deixar o Líbano em meio a confrontos

Centenas fogem dos combates entre militantes pró e anti governo; choques já deixaram pelo menos 13 mortos

BBC Brasil,

09 de maio de 2008 | 21h10

Estrangeiros começaram a deixar o Líbano nesta sexta-feira, 8, depois que a rodovia que leva à principal fronteira com a Síria foi reaberta. De acordo com informações da imprensa libanesa, centenas de pessoas fogem dos confrontos entre militantes pró e anti governo pelas fronteiras do norte e leste do país.   Veja também: Tensão cresce no Líbano após Hezbollah tomar Beirute Entenda as divisões e a crise política Advogado brasileiro no Líbano relata o clima e tensão no país    Embaixadas estrangeiras no Líbano, inclusive a brasileira, não confirmaram se têm algum tipo de plano para evacuar seus cidadãos. Países árabes já estariam retirando seus nacionais do país.    Nesta sexta-feira, o grupo xiita oposicionista Hezbollah, apoiado pelo Irã, tomou o controle da parte muçulmana da capital Beirute, no terceiro dia de enfrentamentos contra milícias pró-governo.     Segundo a agência de notícias ANSA, o ministro de Relações Exteriores italiano, Franco Frattini, confirmou que a Itália já prepara um plano de evacuação para seus cidadãos que desejam deixar o Líbano.   Frattini disse que há a possibilidade de reavaliar as normas de enfrentamento aplicadas para os 2.500 soldados que fazem parte da Unifil, a força de paz da ONU no sul do Líbano.   Confrontos   A violência, iniciada na quarta-feira, já deixou pelo menos 13 mortos e 32 feridos. Em alguns pontos da capital houve uma pausa nos conflitos, mas mais combates se espalharam pelo país. Milícias pró e anti governo se envolveram em combates em Trípoli, Aley e Khalde e em mais cidades no Vale do Bekaa.   Nas montanhas de Chouf, nos arredores de Beirute, as milícias drusas, do líder Walid Jumblatt, entraram, pela primeira vez, em confronto com militantes do Hezbollah.   Após seus simpatizantes perderem o controle de importantes bairros em Beirute, o líder sunita governista Saad Hariri pediu a volta das negociações, que foi rejeitada pelo Hezbollah.   A oposição exige a renúncia do primeiro-ministro, Fouad Siniora, que tem o apoio dos Estados Unidos e outros países ocidentais. A oposição é apoiada pela Síria e o Irã que, segundo os EUA e a ONU, estariam armando as milícias da oposição.   Os combates, que são os piores desde a guerra civil (1975-90), começaram quando o governo tomou decisões contra o sistema de comunicações militares do Hezbollah. O grupo disse que o governo declarou guerra.   'Golpe de Estado'   A oposição fechou a emissora Future TV, o jornal al-Mustaqbal e a rádio Al Sharq, ligados a Hariri. O governo acusa o Hezbollah de tentativa de golpe de estado, e o movimento 14 de Março, que forma a base governista, definiu em reunião realizada na tarde desta sexta-feira que continuará dando apoio ao primeiro-ministro Siniora.   O Líbano vive uma crise política há mais de um ano e está sem presidente desde novembro do ano passado, quando o pró-Síria Emile Lahoud deixou o cargo.   Desde então, governistas e oposição não conseguem chegar a um acordo para eleger o novo presidente. Segundo analistas, o governo caminha para o colapso sem que seus aliados árabes, como o Egito e a Árabia Saudita, tenham mostrado, até agora, sua influência para solucionar a crise. No domingo, a Liga Árabe vai se reunir para discutir a crise no país.       (Com Associated Press)  

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