Estudantes e milícia se enfrentam em 2º dia de protestos no Irã

Autoridades temem que manifestações contra o governo retomem força; líder opositor foi cercado por milícia

Associated Press,

08 de dezembro de 2009 | 16h56

Milicianos pró-governo do Irã entraram em conflito com estudantes nesta terça-feira, no segundo dia de protestos contra o regime do aiatolá na República Islâmica. Também nesta terça, radicais cercaram o líder opositor em seu escritório, no que se transformou na maior série de protestos em meses país.

 

Os novos enfrentamentos ocorrem momentos após as autoridades iranianas anunciarem que não haveria tolerância contra os manifestantes que participaram das passeatas da segunda-feira em várias universidades do país. As manifestações de segunda-feira se tornaram combates entre universitários e forças de segurança. Mais de 200 estudantes foram presos.

 

As autoridades mostram-se preocupadas com o fato de que os protestos contra a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad em junho retomem a força. Na segunda, quando seria comemorado o Dia do Estudante, os universitários aproveitaram a data para protestar contra o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei.

 

Na universidade de Teerã, milhares de estudantes se reuniram para um novo protesto na Escola de Engenharia e se confrontaram com homens da milícia Basij. Um universitário foi levado, segundo testemunhas que falaram sob condição de anonimato. A mídia estrangeira está proibida de cobrir os protestos.

 

Imagens publicadas na internet mostravam milhares de estudantes em frente à universidade com bandeiras do Irã. Posteriormente, os manifestantes fugiam da milícia e entravam no prédio, onde sofreram ataques de gás lacrimogêneo.

 

Cerco

 

Durante os protestos, cerca de 30 homens em motos, alguns com máscaras, cercaram o líder da oposição, Mirhossein Mousavi, enquanto saía da garagem de seu escritório. Segundo o site Goya News, Mousavi deixou saiu do carro e, digirindo-se aos homens, provavelmente pertencentes à Basij, gritou: "Vocês são agentes. Façam o que foram mandados para fazer. Matem-me, ameacem-me". Os assessores do líder o convenceram a votlar para dentro do prédio, de onde saiu horas depois.

 

Zahra Rahnavard, esposa de Mousavi, também foi ameaçada na Universidade de Teerã. Milicianos atingiram-na com spray de pimenta antes dos eleitores de oposição levarem-na, segundo um site da oposição.

 

Segundo a agência Irna, 204 protestantes, incluindo 39 mulheres, foram presos na segunda-feira por violar a ordem pública, incluindo incendiar carros e gritar slogans contra o governo.

 

Desde julho as autoridades vêm detendo manifestantes contra o governo que participam de protestos que explodiram após as eleições, que a oposição dizem terem sido fraudadas para assegurar a vitória do presidente Mahmoud Ahmadinejad.

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