EUA acusam Hezbollah de treinar iraquianos no Irã

Coronel diz que campos de treinamento estão próximos de Teerã e coordenados por braço da Guarda iraniana

REUTERS

05 de maio de 2008 | 13h20

As Forças Armadas dos Estados Unidos têm "vários" detidos que dizem que o grupo militante Hezbollah, do Líbano, vem treinando militantes iraquianos no Irã, afirmou nesta segunda-feira, 5, um militar norte-americano em Bagdá.  O coronel Donald Bacon, porta-voz militar dos EUA na capital iraquiana, afirmou que transcrições de interrogatórios desses presos foram recentemente entregues ao governo do Iraque.   Veja também:   Irã suspende negociações com EUA sobre segurança no Iraque   O coronel não deixou claro se os documentos foram repassados a uma delegação iraquiana que viajou para Teerã, na semana passada, a fim de mostrar provas do apoio iraniano a milícias xiitas em território iraquiano. Bacon disse que os campos de treinamento seriam localizados próximos a Teerã e coordenados pela força iraniana Qods, um braço da Guarda Revolucionária da República Islâmica. "Temos vários detidos que afirmam que o Hezbollah está oferecendo treinamento para iraquianos em campos de treinamento iranianos próximos de Teerã", disse ele à Reuters. O governo dos EUA acusa o Irã de custear, armar e treinar milicianos xiitas para atacar as forças lideradas pelos norte-americanos e as forças do governo iraquiano, apesar de seu comprometimento declarado com a estabilização do Iraque. O governo iraniano culpa a presença de forças norte-americanas no território iraquiano pela violência verificada ali. Um porta-voz do governo iraquiano afirmou no sábado, após o regresso da delegação que visitou o Irã, que as autoridades iranianas negaram qualquer tipo de interferência no país vizinho. O governo iraquiano disse na segunda-feira que o primeiro-ministro do país, Nouri al-Maliki, havia ordenado a formação de um comitê encarregado de recolher provas da interferência iraniana no Iraque a fim de apresentá-las ao governo do Irã. Os iraquianos já disseram que não desejam ver seu território transformar-se no palco de uma guerra por procuração a ser travada pelos EUA e pelo Irã, países que se desentendem também devido às ambições nucleares deste último.

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