EUA advertem Israel por construção de novos assentamentos

Projeto polêmico cortaria a Cisjordânia em duas partes e romperia unidade territorial de futuro Estado palestino

Efe,

24 de julho de 2009 | 08h43

Os Estados Unidos advertiram Israel de que seria "extremamente danoso e corrosivo" erguer construções na chamada zona E-1, entre Jerusalém e o bloco de colônias judaicas de Ma'aleh Adumim, informa nesta sexta-feira, 24, o jornal "Ha'aretz". O projeto para a zona E-1 é polêmico porque, caso venha a se concretizar, cortaria a Cisjordânia em duas partes e romperia a continuidade territorial de um futuro Estado palestino.

Por pressões da comunidade internacional, em particular dos EUA, casas nunca foram construídas na zona E-1, que fica no nordeste de Jerusalém, embora o atual primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, tenha deixado claro durante a recente campanha eleitoral que queria pôr fim a esta situação.

"Conectarei Jerusalém e Ma'aleh Adumim através do bairro Mevasseret Adumim, E-1. Quero criar um anel contínuo de bairros judeus" em torno da cidade, disse Netanyahu em uma visita a Ma'aleh Adumim na qual abriu oficialmente sua luta pelo Executivo.

O plano consiste em erguer 3.500 casas, junto com shopping centers e pontos turísticos, que unam Jerusalém e Ma'aleh Adumim, o maior assentamento judaico na Cisjordânia, com mais de 30 mil habitantes. Caso isso venha a ocorrer, Jerusalém estaria completamente rodeada por bairros judeus, o que a desligaria da Cisjordânia.

Neste ano, durante as negociações de formação do governo, a imprensa local anunciou um acordo de Netanyahu com o partido de extrema direita Yisrael Beiteinu para construir na E-1, mas não há nada escrito neste sentido no pacto de governo assinado pelas legendas.

Os atritos entre Israel e seu principal aliado, os EUA, aumentaram notavelmente desde a chegada ao poder do presidente americano, Barack Obama, que se nega a apoiar a construção e ampliação de assentamentos judaicos em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia.

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