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EUA ameaçam armar países do Golfo em caso de Irã nuclear

Hillary: Se Washington melhorar a capacidade militar dos vizinhos, Teerã não será tão forte com arma atômica

22 de julho de 2009 | 08h07

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, mostrou nesta quarta-feira, 22, como a Casa Branca poderia lidar com o Irã com capacidade nuclear: armando seus vizinhos e ampliando um "guarda-chuva" de defesa na região. "Manteremos a porta aberta (para negociar com o Irã), mas deixamos claro que empreenderemos ações, como disse várias vezes, trabalhando para melhorar a defesa de nossos parceiros na região", disse Hillary em Bangcoc durante uma entrevista ao canal estatal da televisão tailandesa.

 

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A secretária de Estado americana chegou terça-feira à capital tailandesa e seguiu nesta quarta até a ilha de Phuket para participar do fórum de segurança da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean, em inglês) junto com os chefes da diplomacia de outros 25 países e da União Europeia. "Se os EUA estenderem um guarda-chuva defensivo na região, se fizermos mais para apoiar a capacidade militar dos países do Golfo (Pérsico), é improvável que o Irã seja mais forte ou seguro porque (seus dirigentes) não serão capazes de intimidar e dominar como aparentemente acham que poderão quando tiverem uma arma nuclear", argumentou.

 

Na semana passada, Hillary afirmou que as intenções do Irã ainda não estavam claras após as controversas eleições presidenciais de 12 de junho e que a oferta de diálogo de Washington não será mantida indefinidamente. O governo do ex-presidente George W. Bush negou-se a manter negociações diretamente com o Irã até que fossem cumpridas certas precondições, entre elas a suspensão do programa de enriquecimento de urânio, processo que pode ser usado em usinas nucleares com o fim de produzir energia elétrica ou criar armas atômicas. Porém, ao assumir o cargo, Obama afirmou que essa foi uma estratégia falha. A apesar da mudança da política adotada pelos americanos, o Irã não respondeu aos gestos de Obama ou de outros países do Ocidente.

 

Reagindo às declarações iniciais da secretária, o vice-primeiro-ministro de Israel, Dan Meridor, disse que seria muito melhor impedir o Irã de desenvolver armas nucleares do que criar um sistema para se defender delas. "Não fiquei animado por ouvir a declaração norte-americana ... de que eles irão proteger seus aliados com um guarda chuva nuclear, como se já tivessem chegado a termos com um Irã nuclear. Acho isso um erro. Acho que seria mais apropriado não aceitar a premissa de que o Irã ficou nuclear, e sim tentar impedir isso", afirmou Meridor à Rádio do Exército de Israel.

 

O Irã afirma que seu programa nuclear tem o objetivo de gerar eletricidade e assim permitir que o país exporte mais de seu petróleo e gás, mas nações do Ocidente suspeitam que o país esteja buscando o desenvolvimento de armas nucleares. O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas impôs três conjuntos de sanções ao Irã, que tem desafiado as exigências de suspender seu programa de enriquecimento de urânio.

 

Alguns analistas afirmam que o país pode estar próximo de obter o material necessário para produzir uma bomba, mas alguns dizem que o processo pode levar de um a dois anos, devido a barreiras técnicas e políticas. O enriquecimento de urânio até um grau que possa ser usado em armas não passaria despercebido pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão vinculado à ONU, a não ser que seja feito em local secreto. Até o momento não houve indicações de qualquer atitude nesse sentido.

 

 

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