EUA anunciam retirada de 2 mil soldados do Iraque

Militares integram grupo de 30 mil militares enviados ao país no ano passado para conter aumento da violência

MICHAEL HOLDEN, REUTERS

06 de março de 2008 | 13h04

Cerca de 2 mil soldados norte-americanos estão sendo retirados de Bagdá como parte de uma redução no contingente militar dos EUA estacionado no Iraque, afirmaram as Forças Armadas norte-americanas na quinta-feira, 6. A 2ª  Brigada Equipe de Combate integra o grupo adicional de 30 mil soldados enviado no ano passado pelos Estados Unidos para tentar colocar fim aos enfrentamentos entre os muçulmanos sunitas e xiitas dentro do Iraque, conflitos esses que ameaçavam atirar o país em uma guerra civil. "Posso afirmar que eles estão partindo e que não há uma brigada vindo para cá a fim de substituí-la", afirmou à Reuters o tenente-coronel Steve Stover, porta-voz das Forças Armadas dos EUA. Desde que o contingente extra de 30 mil soldados terminou de ser estacionado no Iraque, na metade de 2007, as taxas de violência caíram 60%, levando o general David Petraeus, comandante das forças norte-americanas no território iraquiano, a anunciar que cinco das 20 brigadas seriam retiradas dali até julho de 2008. Há mais de 150 mil soldados dos EUA no Iraque, dos quais cerca de 34.500 ficam estacionados na capital iraquiana. A retirada deve diminuir esse montante, no total, em cerca de 20 mil. Em novembro passado, a primeira brigada, que somava 3 mil soldados, saiu do Iraque sem que houvesse uma substituição. Segundo Stover, os 2 mil soldados da 2ª Brigada Equipe de Combate, em atuação no nordeste de Bagdá, também regressaria para casa após permanecer na região por 15 meses. Entre os militares que sairiam do Iraque incluem-se, além das forças de combate, as unidades de apoio e as do serviço administrativo. Por razões operacionais, o porta-voz não podia dizer se outros soldados norte-americanos ou se forças iraquianas preencheriam o espaço deixado pela brigada. Mas há planos para retirar outras brigadas de Bagdá como parte da redução da presença militar, afirmou Stover, sem fornecer maiores detalhes. Bagdá ficou no epicentro de uma onda de ataques sectários que tomou conta do Iraque após fevereiro de 2006, quando um atentado atingiu um santuário xiita em Samarra. Nos conflitos, dezenas de milhares de iraquianos morreram e centenas de milhares fugiram de suas casas. Petraeus e o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, disseram que, a fim de avaliar a situação, a retirada dos soldados será paralisada quando essa primeira fase chegar ao final, na metade de 2008. Isso significaria que cerca de 140 mil soldados norte-americanos continuariam no Iraque. Na quarta-feira, o major-general Mark Hertling, comandante das forças dos EUA no norte do Iraque, advertiu que novas retiradas teriam de ser adiadas se as autoridades iraquianas, nos próximos seis meses, não se esforçassem mais para criar empregos e fornecer serviços básicos para os moradores do país.

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