EUA aplaudem morte de líder do Hezbollah em atentado

Washington diz que o "mundo é lugar melhor" sem o comandante do grupo acusado por inúmeros ataques

Agências internacionais,

13 de fevereiro de 2008 | 14h56

O governo dos Estados Unidos aplaudiu nesta quarta-feira, 13, a morte de um destacado comandante do grupo guerrilheiro pró-iraniano Hezbollah, que morreu na explosão de um carro-bomba ocorrida na noite de terça em Damasco. O grupo xiita libanês atribuiu a Israel a autoria do atentado que culminou na morte de Imad Moughniyah, um militante procurado por suspeita de envolvimento em uma série de ataques contra alvos americanos e israelenses ao redor do mundo.     Carro-bomba mata comandante do Hezbollah   Assim como os EUA, Israel comemorou a morte do comandante do Hezbollah, mas negou as acusações de que teria envolvimento no assassinato, afirmando que rejeitaria acusações de grupos terroristas. O Irã, que apóia o Hezbollah, qualificou o episódio como "um ato de terrorismo de Estado praticado pelo regime sionista".   "O mundo é um lugar melhor sem este homem. Ele era um matador à sangue frio, um assassino das massas e um terrorista responsável pela morte de incontáveis vítimas", disse o porta-voz do governo americano Sean McCormack.   Danny Yatom, um deputado israelense que já dirigiu o Mossad, principal serviço secreto externo do Estado judeu, celebrou a morte de Moughniyah. "Na luta travada atualmente pelo mundo livre e democrático contra o terror, creio que o mundo livre e democrático tenha conquistado hoje um objetivo muito, muito importante", declarou Yatom. O deputado Itzhak Ben Israel, do partido de centro Kadima, afirmou que "o mundo deve abençoar a morte de Mughniyeh".   A explosão ocorreu em Kafar Soussa, um bairro residencial de Damasco. Inicialmente, testemunhas disseram que uma pessoa que passava pelo local morreu, mas que as forças de segurança teriam removido o corpo. Autoridades sírias não comentaram o episódio. Mas a emissora de televisão iraniana Press TV, que transmite em inglês, divulgou que a pessoa morta na explosão era Moughniyah. De acordo com o canal, o comandante do Hezbollah havia saído de casa e preparava-se para entrar em seu carro quando o veículo explodiu.   O Hezbollah acusou agentes israelenses de terem assassinado Moughniyah. O atentado foi o segundo ataque atribuído a Israel em solo sírio em menos de seis meses. Em setembro do ano passado, aviões de combate israelenses destruíram o que o governo de Israel denunciou ser uma instalação nuclear no deserto sírio. "O assassinato de Moughniyah em Damasco ocorreu depois de o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, ter ameaçado assassinar líderes do Hezbollah e do Hamas onde quer que eles estivessem", diz um comunicado do grupo.   O xeque Afif al-Naboulsi, um destacado clérigo xiita simpático ao Hezbollah, pediu ao braço armado do grupo que retalie. "Todo ataque contra a resistência será motivo de uma resposta da resistência, declarou o clérigo à emissora de TV Al-Manar, operada pelo grupo. "Olho por olho, pessoa por pessoa, líder por líder", defendeu.   Acusações terroristas   Moughniyah, um destacado líder do Hezbollah, foi um dos mais notórios extremistas durante as décadas de 1980 e 1990, mas pouco se falou nele no decorrer dos últimos 15 anos. Procurado há anos pelos serviços secretos americanos, estava entre os indiciados nos Estados Unidos pelo seqüestro, em 1985, de um avião da TWA no qual um mergulhador da Marinha dos Estados Unidos foi morto.   Ele também era suspeito de ter arquitetado, dois anos antes, os ataques contra a Embaixada dos EUA e uma base de fuzileiros navais americanos em Beirute nos quais mais de 300 pessoas morreram. Também recaía sobre Moughniyah a suspeita de ter orquestrado numerosos seqüestros de americanos, entre eles o do ex-chefe da sucursal da Associated Press no Oriente Médio Terry Anderson.   O nome de Moughniyah figurava na lista de homens mais procurados pela polícia federal americana (FBI, por sua iniciais em inglês). A recompensa oferecida por informações que levassem a sua captura era de US$ 5 milhões.   O atentado - o primeiro ataque contra um destacado líder do Hezbollah desde o bombardeio que matou o secretário-geral da organização, xeque Abbas Mussawi, em 1992 - tende a elevar dramaticamente as tensão entre Israel e o grupo guerrilheiro, que conta com o apoio da Síria e do Irã.   Além dos Estados Unidos e Israel, a Argentina e a Arábia Saudita também estiveram à procura do líder do Hezbollah, considerado responsável por atentados cometidos em seus territórios. Segundo a BBC, de acordo com o analista militar do jornal israelense Haaretz, Amir Oren, "a morte de Imad Mughniyeh representa uma mensagem clara para os líderes do Hezbollah".   O porta-voz do grupo palestino Hamas, Sami Abu Zuhri, condenou o assassinato e atribuiu a responsabilidade a Israel e aos Estados Unidos. "Eles querem enviar uma mensagem aos líderes das organizações em Damasco, de que não são imunes a ataques", disse Abu Zuhri. Outro líder do Hamas, Yehia Mussa, declarou que "se a mensagem foi dirigida ao Hamas, ela não tem significado algum, pois o Hamas já sacrificou muitos de seus líderes na luta contra Israel".

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