EUA bombardeiam Basra; cidade tem água para dois dias

ONU afirma que ofensiva do Exército contra grupo armado xiita interrompeu distribuição de ajuda humanitária

Associated Press e Efe,

28 de março de 2008 | 10h31

Aviões de guerra da coalizão militar liderada pelos Estados Unidos no Iraque bombardearam nesta sexta-feira, 28, a cidade de Basra pela primeira vez desde o início, esta semana, de choques entre as forças locais de segurança de grupos milicianos xiitas, informou um oficial do Exército do Reino Unido. As Nações Unidas alertaram ainda que a população da cidade petrolífera possui estoques de água para apenas dois dias e que a distribuição de ajuda humanitária têm sido afetada.  Veja também:Premiê dá até 8 de abril para milícia xiita depor armasSadr, líder xiita, ocupa papel-chave para a paz Ocupação do Iraque  Soldados dos EUA falam da vida no Iraque   As forças iraquianas pediram à coalizão militar liderada pelos EUA no Iraque que bombardeasse pelo menos dois locais, prosseguiu o oficial britânico sob condição de anonimato. A fonte disse não poder fornecer informações adicionais sobre os alvos atacados nem sobre as possíveis vítimas dos ataques aéreos Aviões militares sobrevoavam Basra havia três dias. Principal pólo de exportação do sul do Iraque, a área era controlada por militares britânicos até dezembro do ano passado, quando toda a responsabilidade pela segurança na região foi transferida para os iraquianos. Ao mesmo tempo, a polícia iraquiana informou que novos choques entre forças iraquianas e milicianos xiitas foram registrados em pelo menos duas cidades ao sul de Bagdá. Os novos combates ocorreram em Nassíria e Mahmoudiya. A polícia informou que quatro pessoas morreram e 14 ficaram feridas nos choques em Nassíria. Não havia informações imediatamente disponíveis sobre a violência em Mahmoudiya. Na capital iraquiana, um toque de recolher foi imposto e a situação era calma nesta sexta-feira. Árabes xiitas estão descontentes com o comportamento do primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki, um xiita que tem supervisionado pessoalmente a campanha militar contra as milícias, dominadas por seguidores do clérigo radical Muqtada al-Sadr. Diferentes grupos milicianos vêm lutando pelo poder em Basra, no sul do Iraque, perto da fronteira com o Irã. A repressão aos milicianos ameaça acabar com uma trégua unilateral observada desde meados do ano passado pelo Exército Mahdi, leal a Sadr. Seguidores de Sadr denunciam que o governo está se aproveitando da trégua para esmagar a milícia. O governo iraquiano alega estar combatendo grupos criminosos. Alerta da ONU A população da província iraquiana de Basra, em meio aos confrontos entre o Exército e as milícias xiitas, conta com reservas de água para apenas dois dias, alertou a ONU. "Estamos muito preocupados com a degradação da situação humanitária em Basra. Devido ao toque de recolher, é impossível que os trabalhadores humanitários distribuam a ajuda de que os habitantes tanto precisam", disse a porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Veronique Taveau, à imprensa em Genebra. Basra tem uma população de 3,2 milhões de pessoas, da qual a metade é de crianças, segundo os dados desse organismo. "O acesso à água potável é particularmente crítico. Estimamos que só restam reservas para dois dias", acrescentou Taveau, após dizer que a população não pode consumir a da torneira, devido à forte salinidade e à pobre qualidade. Caso as pessoas consumam água da torneira, pode haver um aumento dramático dos casos de diarréia e outras doenças, particularmente entre as crianças. A Unicef tem reservas suficientes para ajudar a população de Basra, mas precisa de "garantias" para sua distribuição, ressaltou a porta-voz, que sustentou que, por enquanto, "é impossível que nossos colaboradores se desloquem para distribuir qualquer ajuda". O mesmo problema foi denunciado pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), que afirmou que "o principal problema é se deslocar" e disse que, por enquanto, seus representantes no Iraque estão confinados em casa e no escritório. O porta-voz da Organização Internacional de Migrações (OIM), Jean-Phillipe Chauzy, anunciou que interrompeu suas atividades de ajuda aos deslocados em Basra, em ouras províncias iraquianas e no distrito de Cidade de Sadr, em Bagdá, para onde se estendeu a recente escalada de violência.

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