EUA cogitam bombardear forças líbias que avançam para Benghazi

Tropas do governo líbio enfrentaram insurgentes nesta quinta-feira na estrada que leva a Benghazi, principal reduto dos rebeldes, enquanto os Estados Unidos aventaram a possibilidade de realizar bombardeios para conter as forças de Muammar Gaddafi.

MARIA GOLOVNINA E MICHAEL GEORGY, REUTERS

17 de março de 2011 | 11h35

Mas o debate internacional sobre eventuais ações militares pode se arrastar, dando a Gaddafi tempo para dominar a rebelião, que já dura cerca de um mês.

A TV estatal líbia disse que disparos e explosões foram ouvidos no aeroporto próximo a Benghazi. Se confirmado, seria o primeiro combate nos arredores da cidade onde a revolução começou, e um sinal do sucesso da contraofensiva governista.

Os confrontos em torno de Ajdabiyah, uma cidade estratégica na rodovia litorânea, contiveram o avanço do Exército rumo a Benghazi, mas os militares alertaram aos cidadãos que pretendem avançar para a cidade, e recomendaram aos moradores que deixem as áreas controladas pelos rebeldes.

A TV Al Arabiya disse que cerca de 30 pessoas já foram mortas nos combates em Ajdabiyah. Nos arredores da cidade, há carros queimados nos acostamentos, e as forças do governo exibem à imprensa estrangeira os seus canhões, tanques e lançadores móveis de foguetes -- um poderio bélico muito superior ao que é usado pelos rebeldes.

A TV estatal informou que as forças do governo capturaram também Misurata, terceira maior cidade líbia, 200 quilômetros a leste de Trípoli. Rebeldes e moradores, no entanto, negaram a afirmação.

Os Estados Unidos, anteriormente relutantes à ideia de uma intervenção militar, disseram que o Conselho de Segurança da ONU deveria considerar a adoção de medidas mais duras do que a imposição de uma zona de exclusão aérea na Líbia.

"Estamos discutindo muito seriamente e comandando os esforços no Conselho a respeito de uma gama de ações que acreditamos ser eficazes para proteger os civis", disse a embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice, na noite de quarta-feira em Nova York.

"Os visão dos EUA é que precisamos estar preparados para contemplar os passos que incluem uma zona de exclusão aérea, talvez indo além dela", afirmou.

Washington inicialmente reagiu com cautela à proposta da Liga Árabe e de governos europeus pela imposição da zona de exclusão aérea, pois alguns funcionários norte-americanos temiam que essa medida fosse militarmente ineficaz e politicamente nociva.

Diplomatas na ONU disseram à Reuters que a exclusão aérea e outras ações militares -- como bombardeios para proteger áreas civis -- agora têm apoio dos Estados Unidos, Grã-Bretanha, e França.

A secretária de Estado Hillary Clinton disse esperar que o Conselho vote a medida "até no máximo quinta-feira".

Ela afirmou que Gaddafi parece determinado a matar o máximo de líbios que conseguir, e que "muitas ações diferentes" estavam sendo consideradas.

Rússia, China (ambas com poder de veto), Alemanha e Índia, entre outros membros do Conselho, se mostram indecisos ou contrários à imposição da zona de exclusão aérea. A Itália, possível base para essa operação, é contra qualquer intervenção militar na Líbia.

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