EUA convidam Israel e palestinos a retomarem conversação direta

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, convidou na sexta-feira o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, a retomarem as conversações diretas em Washington no dia 2 de setembro com o objetivo de chegar a um acordo de paz dentro de um ano.

ANDREW QUINN, REUTERS

20 de agosto de 2010 | 15h24

"Houve dificuldades no passado e haverá dificuldades pela frente", disse Hillary em um comunicado.

"Peço que as partes sejam perseverantes, continuem avançando mesmo em tempos difíceis e prossigam trabalhando para alcançar uma paz justa e duradoura na região."

O anúncio de Hillary encerra meses de exaustivas negociações diplomáticas do enviado de paz dos EUA ao Oriente Médio, George Mitchell, que tem feito a ponte entre os dois lados na esperança de convencê-los a voltar às negociações, rompidas em 2008.

A meta final é estabelecer um Estado palestino viável, democrático e independente convivendo em paz ao lado de Israel.

Hillary Clinton afirmou que as conversações devem ocorrer sem precondições e tratar de todas as chamadas questões de status final, incluindo os limites do futuro Estado palestino, os assentamentos judaicos na Cisjordânia e o status de Jerusalém.

A declaração de Hillary acontece ao mesmo tempo em que o quarteto de mediadores da paz no Oriente Médio - EUA, Rússia, Organização das Nações Unidas (ONU) e União Europeia - emitiu um convite próprio a ambos os lados para a retomada do diálogo.

Netanyahu saudou o convite da secretária de Estado norte-americana. Os palestinos responderam positivamente à declaração do quarteto, mas não comentaram de imediato a proposta de Hillary -- a mais recente tentativa norte-americana de promover um acordo de paz, almejado por negociadores há quase duas décadas.

JORDÂNIA E EGITO CONVIDADOS

Hillary afirmou que o presidente dos EUA, Barack Obama, também convidou o rei Abdullah, da Jordânia, e o presidente egípcio, Hosni Mubarak, a participarem da cúpula em Washington "em vista do papel crucial deles no esforço".

Ela afirmou que Obama espera fazer reuniões bilaterais com os quatro líderes em 1o de setembro e que convidou Netanyahu e Abbas a se encontrarem com ela no dia 2 de setembro para marcar o lançamento formal das negociações diretas.

"Enquanto avançamos, é importante que as ações tomadas por todos os lados ajudem a mover para frente nosso esforço e não a obstruí-lo", disse ela.

Mitchell afirmou que as datas e o local dos encontros subsequentes estão sendo debatidos, mas que alguns deles podem ocorrer na região. Ele afirmou que o Hamas, o grupo islâmico que governa o território palestino na Faixa de Gaza, não participará das conversações.

Mitchell disse que os EUA mantiveram os pedidos anteriores para que Israel interrompa a construção de novos assentamentos judaicos na Cisjordânia ocupada. A moratória auto-imposta por Israel para esse tipo de obra deve acabar no fim de setembro.

"Esperamos que ambas as partes promovam um ambiente propício às negociações", afirmou Mitchell, sem indicar se o governo Netanyahu havia concordado em estender o congelamento das obras.

Ele disse que os EUA estão preparados para apresentar suas próprias propostas "para fazer a ponte" conforme o necessário durante as negociações, mas que no final o processo ficaria a cargo dos negociadores israelenses e palestinos.

"Não esperamos que todas as diferenças desapareçam com o início das conversações. Na verdade, esperamos que elas sejam apresentadas, debatidas, discutidas e que as diferenças não serão resolvidas imediatamente", afirmou Mitchell, acrescentando que o acordo final de paz é do interesse de todos.

"Portanto, continuaremos a buscar esse objetivo com paciência, perseverança e determinação."

(Reportagem adicional de David Alexander)

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