EUA criticam Israel por expandir assentamentos na Cisjordânia

Rice diz que ampliação pode minar negociação com palestinos e não determina fronteiras em acordo de paz

Efe,

15 de junho de 2008 | 14h35

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, voltou a alertar Israel por seguir ampliando seus assentamentos na Cisjordânia, uma política que, segundo ela, "poderia minar o processo de paz" com os palestinos. Rice deixou claro neste domingo, 15, que a ampliação dos assentamentos judaicos em território palestino não poderá afetar um acordo final nem determinar as futuras fronteiras de Israel limitadas por um eventual acordo de paz. O Executivo israelense, no entanto, sustenta que independente do acordo assinado, os grandes assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental serão mantidos como parte de seu território. Por essa razão, o governo não suspende as novas construções apesar da medida ir contra diretrizes do Mapa de Caminho, que serve de base para uma negociação com palestinos. Em coletiva de imprensa em Ramallah logo após uma reunião com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, Rice disse que o aumento nos assentamentos só serve para diminuir "a credibilidade" entre palestinos e israelenses. Segundo a americana, neste momento, é preciso "fazer crescer a confiança entre" as duas partes. Após seu encontro com Rice, o presidente da ANP também fez referência aos assentamentos judaicos, ao qualificá-los como "o maior obstáculo enfrentado pelo processo de paz". Desde que Abbas e o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, se comprometeram em novembro na Conferência de Annapolis (EUA) a chegar a um acordo de paz antes do fim do ano, o governo israelense autorizou a construção de cerca de dez mil casas em assentamentos da Cisjordânia. Apesar disso, Abbas se mostrou otimista de que os EUA consigam ajudar ambas as partes a alcançar um acordo antes do final do ano e pediu ajuda para que Rice convença "Israel a se comprometer com a suspensão do aumento de assentamentos". Antes de viajar a Ramallah, Rice se reuniu em Jerusalém com a ministra de Relações Exteriores israelense, Tzipi Livni, com quem falou sobre o problema dos assentamentos, a necessidade de interromper os ataques com foguetes lançados de Gaza contra Israel, a ameaça iraniana e a melhora das condições de vida dos palestinos.  A visita de Rice continua na segunda-feira, quando a secretária de Estado se reunirá com o primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, e com o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, para tratarem juntos sobre os compromissos das duas partes para a aplicação do Mapa de Caminho.  Desde a Conferência de Annapolis em 2007, esta é a sexta visita de Rice à região para impulsionar as negociações entre Israel e a ANP. Na conferência, o primeiro-ministro israelense e o presidente palestino chegaram ao acordo de fechar um tratado de paz ainda este ano com base no Mapa de Caminho, o plano de paz lançado em 2003 pelo Quarteto de Madri (Nações Unidas, EUA, União Européia e Rússia).

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