EUA defendem aproximação com Taliban não-violento

Os combatentes do Taliban que abandonarem a luta armada merecem uma "forma honrada de reconciliação", disse na terça-feira a secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, dias depois de o presidente Barack Obama apresentar uma nova estratégia para a guerra do Afeganistão.

SUE PLEMING E DAVID BRUNNSTROM, REUTERS

31 de março de 2009 | 09h14

"Devemos (...) apoiar os esforços do governo do Afeganistão no sentido de separar os extremistas da Al Qaeda e do Taliban daqueles que aderiram às suas fileiras não por convicção, mas por desespero", disse Hillary numa conferência em Haia (Holanda), diante da presença de representantes de Irã e Paquistão, entre outros.

"Deve-se oferecer a eles uma forma honrada de reconciliação e reintegração em uma sociedade pacífica, caso estejam dispostos a abandonar a violência, romper com a Al Qaeda e apoiar a Constituição", acrescentou.

Antes, o presidente afegão, Hamid Karzai, elogiou a nova iniciativa do governo Obama contra a instabilidade em seu país. "Saúdo o crescente reconhecimento de que sem a verdadeira cooperação dos vizinhos do Afeganistão a vitória sobre o terrorismo não pode ser assegurada", disse Karzai, para quem Obama demonstra uma liderança "nova, forte e judiciosa".

O Irã, que enviou seu vice-chanceler Mohammad Mehdi Akhoundzadeh à conferência de um dia, reafirmou sua rejeição à presença militar estrangeira no Afeganistão, mas prometeu colaboração no combate ao tráfico de ópio do país.

"A presença de forças estrangeiras não melhorou as coisas no país, e parece que um aumento no número de forças estrangeiras (como promete Obama) se mostrará ineficaz também", disse Akhoundzadeh.

"O Irã está plenamente preparado para participar de projetos destinados a combater o tráfico de drogas e de planos compatíveis com o desenvolvimento e reconstrução do Afeganistão", afirmou ele, segundo transcrição divulgada a jornalistas.

Hillary e Akhoundzadeh não devem manter conversas substanciais em Haia, mas tampouco se espera que evitem o contato.

Contrariando a política do seu antecessor George W. Bush, Obama e sua equipe têm buscado uma aproximação com o Irã, apesar dos vários anos de impasse em torno do programa nuclear da República Islâmica.

Richard Holbrooke, representante especial de Obama para o Afeganistão e Paquistão, disse que a presença do Irã na conferência é uma parte lógica dos esforços para levar a paz aos afegãos.

"Como se pode falar do Afeganistão e excluir um dos países que é um Estado fronteiriço, vizinho?", disse ele a jornalistas em Haia. "A presença do Irã aqui é óbvia."

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