EUA derrubam avião iraniano que sobrevoava Iraque

Incidente com aeronave não-tripulada aconteceu em fevereiro, a 100 quilômetros de Bagdá

Reuters,

16 de março de 2009 | 16h02

Forças dos Estados Unidos derrubaram um avião teleguiado iraniano que se aventurou a entrar no Iraque no mês passado, informaram autoridades norte-americanas e iraquianas na segunda-feira, em um incidente que ressalta as profundas tensões entre EUA e Irã. Um porta-voz militar norte-americano disse que caças dos EUA derrubaram a aeronave não-tripulada iraniana no dia 25 de fevereiro a aproximadamente 100 quilômetros a nordeste de Bagdá.

 

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"A UAV (aeronave não-tripulada) foi rastreada pela força aérea da coalizão por cerca de uma hora e dez minutos antes de ser atacada e derrubada dentro do espaço aéreo iraquiano", disse o tenente-coronel Mark Ballesteros. "Isso não foi um acidente por parte dos iranianos" devido a distância voada pela aeronave dentro do Iraque e o tempo que eles permaneceram", completou Ballesteros. Acredita-se que a aeronave seja um modelo iraniano teleguiado "Ababil 3".

Mas o general-de-divisão Abdul Aziz Mohammed Jassim, chefe das operações militares no Ministério da Defesa iraquiano, disse à Reuters que acredita que a entrada do avião no Iraque tenha sido um erro. "De acordo com o relatório recebido pelas forças multinacionais, esse avião teleguiado entrou por engano no Iraque em um ponto a 100 quilômetros de Bagdá. Ele voou 10 quilômetros dentro do Iraque", afirmou ele.

"O mais provável é que a entrada (no Iraque) tenha sido um erro", disse. As três semanas de silêncio das autoridades norte-americanas, iraquianas e iranianas sobre o incidente incomum ressaltam a natureza delicada de qualquer contato entre o Irã e os EUA. Autoridades iranianas ainda não fizeram comentários sobre o incidente.

Os militares norte-americanos há muito tempo vêm acusando o Irã de armar militantes e interferir no Iraque, onde dezenas de milhares de pessoas morreram em razão da violência sectária desde a invasão liderada pelos EUA para derrubar Saddam Hussein em 2003.

Mas as relações entre o primeiro-ministro xiita iraquiano, Nuri al-Maliki, e o Irã, país de maioria xiita, são em boa parte amigáveis. Os dois países travaram uma violenta guerra durante oito anos nos anos 1980, quando morreram cerca de 1 milhão de pessoas. As relações, entretanto, melhoraram desde que Saddam, que era sunita, foi retirado do poder.

Nos últimos meses, à medida que a violência caiu bastante em todo o Iraque, autoridades norte-americanas têm falado menos sobre o suposto papel do Irã no Iraque. O governo iraniano nega que apoia militantes iraquianos.

Em uma mudança brusca com relação ao governo Bush, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que assumiu o poder em janeiro, disse que estaria aberto a dialogar com o Irã sobre uma série de questões, indo das ambições nucleares a como o Irã poderia ajudar no Afeganistão. O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse também estar aberto ao diálogo com Washington, mas exige mudanças fundamentais na política dos EUA com relação ao Oriente Médio.

 

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