EUA dizem que Irã continua a treinar milícias iraquianas

Os militares dos Estados Unidos disseramneste domingo que houve uma queda acentuada no número de armasiranianas em uso no Iraque, mas nenhuma redução no treinamentoe financiamento de milícias iraquianas. Washington vem acusando Teerã de fornecer armassofisticadas às milícias xiitas no Iraque, incluindo mortíferasbombas capazes de perfurar veículos blindados, conhecidas comoEFP (da sigla em inglês), para atacar tropas norte-americanas.O Irã nega a acusação. "Nós acreditamos que o número de armas comuns entre asmilícias, provenientes do Irã e usadas contra a coalizão e asforças de segurança iraquianas, caiu acentuadamente", disse aosrepórteres, em Bagdá, o porta-voz dos militares dos EUAcontra-almirante Greg Smith. "Não acreditamos que o nível detreinamento tenha sido reduzido de modo algum. Não acreditamosque o nível do financiamento seja menor." Os comentários surgem num momento de aumento de tensãoentre o Irã e os EUA, depois que o governo norte-americanodisse que seus navios de guerra foram ameaçados por embarcaçõesiranianas no Estreito de Ormuz no início deste mês. Os doispaíses já divergem sobre a determinação do Irã de prosseguircom seu programa nuclear. Nas últimas semanas, os funcionários do primeiro escalãodos EUA suavizaram sua retórica em relação ao Irã, atribuindoem parte a forte queda na violência no Iraque desde junho àação de Teerã para deter o fluxo de armas contrabandeadas parao Iraque. As forças dos EUA também libertaram alguns iranianosdetidos. Smith disse que houve um aumento no número de ataques comEFP registrados nas duas primeiras semanas de janeiro. "Nãosabemos precisamente por que, e agora os ataques voltaram aosníveis normais" disse Smith. "Não está claro o que acontecedentro do Irã para ter provocado isso." ENCONTRO EUA-IRÃ Estava previsto um encontro de funcionários do primeiroescalão dos EUA e do Irã, em meados de dezembro, para umaquarta rodada de negociações com a finalidade de subjugar aviolência no Iraque. A reunião foi cancelada por causa de umavisita organizada às pressas da secretária de Estadonorte-americana, Condoleezza Rice, ao Iraque. Um porta-voz dogoverno iraquiano informou que não foi fixada uma nova datapara o encontro. Smith disse que o Irã continua a exercer uma "influêncianegativa" no Iraque, tendo milícias em treinamento dentro doterritório iraniano até o fim do ano passado, depois de Teerãter prometido apoio ao governo iraquiano nos esforços para pôrfim à violência. Muitos milicianos treinados no Irã são tidos como membrosrenegados da milícia Exército Mehdi, do clérigo xiita Moqtadaal-Sadr. Sadr ordenou um cessar-fogo por um período de seismeses, prazo que expira no fim de fevereiro. Ele poderia,portanto, reorganizar sua milícia, hoje fragmentada. Os militares dos EUA dizem que o Exército Mehdi foisubstituído pela rede Al-Qaeda como a maior ameaça à paz noIraque. Forças dos EUA lançaram uma grande ofensiva contra osmilitantes desse grupo islâmico sunita em quatro províncias donorte do país e na periferia sul de Bagdá. Smith disse que 121 militantes foram mortos, incluindo 92"alvos de alto valor" desde o início da operação, no dia 8 dejaneiro. Numa ação com as marcas da Al-Qaeda, um atacante suicidamatou neste domingo seis pessoas na província de Anbar, nooeste do país, incluindo um membro de uma tribo árabe sunitaenvolvida na luta contra esse grupo, disseram altosfuncionários. Foi o segundo ataque mortífero com bombas em dois dias emAnbar, onde a violência diminuiu sensivelmente nos últimosmeses depois que as tribos locais se uniram aos militares dosEUA para expulsar a al-Qaeda dessa vasta região. Muitosmilitantes se dirigiram para o norte do Iraque. Em 2007, militantes da Al-Qaeda mataram 3.870 civis eferiram quase 18 mil em 4.500 ataques, disse Smith. (Reportagem adicional de Wisam Mohammed e Paul Tait)

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