EUA e Afeganistão demonstram unidade após semanas de tensão

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, e o presidente afegão, Hamid Karzai, deram um show de unidade nesta segunda-feira depois de semanas de tensão crescente sobre transferências de prisioneiros e sugestões afegãs de uma conspiração entre Estados Unidos e Taliban.

ARSHAD MOHAMMED, Reuters

25 de março de 2013 | 19h02

Kerry fez uma visita breve e não anunciada ao Afeganistão para discutir uma série de questões, incluindo tentativas de estabilizar o país antes da saída da maioria das tropas até o fim de 2014, a transferência da responsabilidade da segurança para as forças afegãs e as eleições de 2014 no Afeganistão, disse uma autoridade norte-americana a repórteres.

Depois de uma reunião privada que durou várias horas, os dois concederam uma entrevista coletiva em que Karzai enfrentou questões sobre suas declarações no início do mês em que acusava o Taliban de realizar ataques "a serviço da América".

Várias reportagens indicaram que ele estava sugerindo que os Estados Unidos e o Taliban estavam de conluio, mas ele rejeitou essa interpretação na entrevista coletiva realizada no palácio presidencial em Cabul.

"Nunca usei a palavra 'conluio' entre o Taliban e os EUA. Essas não foram as minhas palavras. Essas foram (as palavras) escolhidas pela mídia", ele disse.

Kerry afirmou ter discutido a questão, mas que ele a rejeitou. "Estou confiante de que o presidente não acredita absolutamente que os Estados Unidos têm qualquer interesse a não ser em ver o Taliban se sentar à mesa para fazer a paz".

Em sua primeira visita ao Afeganistão como secretário de Estado, Kerry também reconheceu a transferência dos EUA, no início do dia, do controle da maior instalação de detenção do Afeganistão, adjacente à base militar de Bagram, no norte de Cabul.

O controle da instalação de detenção e dos prisioneiros dentro dela foi formalmente cedido aos afegãos durante uma cerimônia na manhã desta segunda-feira, pondo fim a uma questão de disputa de longa data entre os dois países.

A transferência do controle da prisão tinha sido repetidamente adiada ao longo do ano passado, em parte devido aos temores norte-americanos de que os detentos perigosos às forças de coalizão pudessem ser libertados.

"A partir de hoje, não temos prisioneiros. O que está acontecendo aqui está sob o controle do povo afegão", disse Kerry. Um assessor disse que ele se referia apenas aos cidadãos afegãos.

Mais cedo nesta segunda-feira, o comandante afegão da instalação prisional de Bagram, Gulam Farooq Barakzai, disse que um número muito limitado de detentos permanecia sob custódia dos Estados Unidos e deveria passar para os afegãos até "o fim da próxima semana".

Questionado sobre detalhes de como funcionaria o acordo de transferência de prisioneiros, Karzai disse que os Estados Unidos concordaram em compartilhar informações sobre o que viam como presos altamente perigosos e seriam consultados antes de qualquer libertação eventual.

Karzai disse que uma comissão afegã iria rever informações e decidir se os prisioneiros deveriam ser libertados, antes de uma troca final de opiniões entre o comandante do Exército norte-americano e o ministro da Defesa afegão.

(Reportagem adicional de David Alexander e Dylan Welch)

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