EUA e UE ameaçam Irã com novas sanções

Os Estados Unidos e a UniãoEuropéia anunciaram na terça-feira que estão prontos a impormais sanções contra o programa nuclear do Irã. No entanto, o presidente George W. Bush admitiu os limitesda influência norte-americana sobre Teerã e pareceu resignadoem deixar o impasse ao sucessor na Casa Branca. "Deixo para trás um marco multilateral para trabalhar nestaquestão", disse ele durante a cúpula EUA-UE num casteloesloveno. "Um grupo de países pode passar uma clara mensagem aosiranianos, a saber: vamos continuar a isolá-los [...], vamosencontrar novas sanções se preciso for, se vocês continuarem arejeitar as justas exigências do mundo livre, que são abrir mãodo seu programa de enriquecimento [de urânio]", disse ele. Desta vez, Bush não repetiu declarações anteriores em quenão descartava uma ação militar. "Agora é hora de umadiplomacia forte", disse ele. Um comunicado final da cúpula disse que tanto UE quanto EUAestão preparados para adotar medidas adicionais às três rodadasde sanções das Nações Unidas --um reconhecimento implícito deque China e Rússia usarão seu poder de veto para dificultarqualquer nova ação do Conselho de Segurança contra Teerã. Bush se reuniu com dirigentes da Eslovênia, país quepreside a UE neste último semestre de seu mandato, e também como português José Manuel Barroso, presidente da ComissãoEuropéia (Poder Executivo do bloco de 27 países). Mais tarde na quarta-feira Bush viajou à Alemanha, ondediscutirá sobre Irã, mudança climática e preço do petróleo coma chanceler Angela Merkel em Meseberg (nordeste do país). Em uma semana de viagem, a agenda do presidente incluiainda escalas na Itália, na França e na Grã-Bretanha. No fim de semana, o chefe de Política Externa da UniãoEuropéia, Javier Solana, viaja ao Irã para apresentar uma novaoferta de incentivos de seis grandes potências em troca dadesativação do programa nuclear. Mas Solana demonstra ceticismo com relação à missão. O Irãdiz ter o direito inalienável de enriquecer urânio, o que podeservir para usinas nucleares ou armas atômicas. Teerã afirmaque seu objetivo é gerar energia para exportar seus excedentesde gás e petróleo. Os europeus compartilham da preocupação de Washington com apossibilidade de um Irã com armas nucleares, mas não está claroaté que ponto eles estariam dispostos a acompanhar medidas maisduras do governo Bush. Washington vem pressionando a UE a negar acesso dos bancosiranianos ao sistema financeiro mundial. A comissária européiade Relações Exteriores, Benita Ferrero-Waldner, disse que obloco de fato cogita congelar contas iranianas. Um jornal de Teerã informou que o país está retirando odinheiro das suas contas na Europa e convertendo parte das suasreservas em ouro e ações, a fim de neutralizar o impacto dassanções.

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