EUA elogiam congelamento russo de venda de mísseis S-300 ao Irã

Segundo Casa Branca, Medvedev demonstrou liderança ao exigir que o Irã cumpra obrigações

Efe,

22 de setembro de 2010 | 21h05

WASHINGTON- A Casa Branca se disse satisfeita nesta quarta-feira, 22, com a ordem do presidente russo, Dimitri Medvedev,de proibir a venda de mísseis S-300 ao Irã em cumprimento da resolução 1929 do Conselho de Segurança da ONU, que estabelece uma quarta rodada de sanções contra Teerã por seu controverso programa nuclear.

 

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Segundo Mike Hammer, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, com essa decisão, Medvedev "demonstrou liderança na hora de exigir que o Irã cumpra com suas obrigações internacionais".

 

"Continuamos comprometidos com nossos sócios internacionais para encontrar uma solução negociada para a questão nuclear iraniana", afirmou o porta-voz, que destacou a proximidade da cooperação entre Washington e Moscou em favor de seus interesses sobre a segurança global.

 

O decreto proíbe a entrega ao Irã de qualquer tipo de tanque, carros blindados, peças de artilharia de grosso calibre, aviões e helicópteros de combate, navios de guerra, mísseis ou baterias de mísseis, informou o Kremlin em um comunicado.

 

O documento ressalta que a proibição também afeta os sistemas antiaéreos como mísseis S-300, que o Irã esperava receber devido a um contrato assinado pelos dois países em 2007.

 

Neste ano, Rússia e Irã firmaram um contrato no qual Moscou iria fornecer a Teerã cinco sistemas de defesa antiaérea S-300 por US$ 800 milhões de dólares, mas o Kremlin congelou a operação por motivos políticos em meio a nova etapa de relações com os EUA.

 

Teerã sustenta que os S-300 não contradizem nenhum acordo internacional sobre a venda ou proliferação de armas e adverte que a negativa russa prejudicará as relações bilaterais.

 

Impasse

 

As potências ocidentais acusam o Irã de esconder, sob seu programa nuclear civil, outro de natureza clandestina e aplicações bélicas, cujo objetivo seria a aquisição de armas atômicas. Teerã nega tais alegações.

As tensões sobre o programa nuclear iraniano se acirraram no final do ano passado após o Irã rejeitar uma proposta de troca de urânio feita por EUA, Rússia e Reino Unido. Meses depois, o país começou a enriquecer urânio a 20%.

 

Um acordo mediado por Brasil e Turquia para troca de urânio chegou a ser assinado com o Irã em maio. O acordo, porém, foi rejeitado pelo Grupo de Viena - composto por Rússia, França, EUA e AEIA - e o Conselho de Segurança da ONU optou por impor uma quarta rodada de sanções ao país.

 

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