EUA entregam última prisão iraquiana, mas mantêm 200 detentos

Os militares norte-americanos entregaram a sua última prisão no Iraque na quinta-feira, colocando fim a um capítulo infame da invasão de 2003 executada pelos Estados Unidos que incluiu a detenção de milhares de pessoas sem acusação formal e provocando a ira após denúncias de abuso.

MICHAEL CHRISTIE, REUTERS

15 de julho de 2010 | 16h04

Numa cerimônia em um hangar do centro de detenção de Camp Cropper, perto do aeroporto de Bagdá, os oficiais militares norte-americanos deram a seus colegas iraquianos uma chave gigante simbólica e afirmaram estar confiantes de que não haverá maus-tratos aos prisioneiros sob a supervisão iraquiana.

Eles também reconheceram alguns erros do passado.

"Para ser totalmente sincero, nós aprendemos com as nossas experiências aqui", afirmou o porta-voz dos militares norte-americanos, o general-de-divisão Stephen Lança, a jornalistas antes da cerimônia de passagem.

"Nós aprendemos com a nossa experiência aqui em termos de operações dos detidos e com a nossa inaptidão em estarmos preparados para o que encontramos", disse ele.

Quase 90 mil pessoas foram detidas pelas forças dos EUA nos últimos sete anos como suspeitos de serem insurgentes sunitas ou membros de milícias xiitas.

Sem nunca serem indiciados, eles foram mantidos por meses ou anos em prisões como a de Crooper, ou a de Camp Bucca, um complexo no deserto perto do Kuweit, que foi fechado no ano passado.

As revelações feitas em 2004 de que carcereiros norte-americanos abusaram e humilharam sexualmente os iraquianos na prisão de Abu Ghraib, nas proximidades de Bagdá, enfureceram muitos iraquianos e podem ter contribuído para uma insurgência crescente na época.

Diversos jornalistas, incluindo um fotógrafo e um cinegrafista da Reuters, passaram meses detidos pelos militares norte-americanos sem que se dissessem do que eram suspeitos.

Os militares norte-americanos perderam o direito de deter iraquianos, de acordo com um acordo bilateral de segurança assinado em 2008 que abriu o caminho para a retirada total dos EUA até o fim de 2011.

A pedido das autoridades iraquianas, os EUA continuarão a vigiar cerca de 200 dos 1.500 prisioneiros em Cropper, incluindo militantes da Al Qaeda e membros do governo deposto do ditador Saddam Hussein.

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