EUA impõem sanções a presidente sírio Assad

O governo dos Estados Unidos impôs nesta quarta-feira sanções ao presidente sírio, Bashar al-Assad, por abusos dos direitos humanos, em uma escalada drástica da pressão sobre a Síria para que cesse a brutal repressão contra manifestantes.

ARSHAD MOHAMMED E KHALED YACOUB OWEIS, REUTERS

18 de maio de 2011 | 16h42

Assad estava parcialmente reabilitado no Ocidente nos últimos três anos, mas as potências ocidentais condenaram o uso da força para reprimir os protestos contra seus 11 anos no poder.

As sanções pessoais contra Assad, ação que os Estados Unidos e a União Européia até agora estavam evitando, são um ataque significativo contra Damasco e levantam questões sobre a possibilidade de Washington e do Ocidente tentar derrubar Assad do poder.

Grupos de direitos humanos dizem que pelo menos 700 civis foram mortos em dois meses de confrontos entre as forças do governo e os manifestantes, que querem o fim do regime de Assad.

A medida, anunciada pelo Departamento do Tesouro dos EUA, congela os bens das autoridades sírias nos Estados Unidos ou em jurisdições norte-americanas e, em geral, proíbe que pessoas físicas e jurídicas norte-americanas tenham contato com elas.

Além de Assad as sanções teriam como alvo o vice-presidente, Farouq al-Shara, o primeiro-ministro, Adel Safar, o ministro do Interior, Mohammad Ibrahim al-Shaar, o ministro da Defesa, Ali Habib, bem como Abdul Fatah Qudsiya, o chefe da inteligência militar síria, e Mohammed Dib Zaitoun, diretor do órgão de segurança político.

A Suíça disse nesta quarta-feira que iria impor proibições de viagens de 13 altos funcionários sírios -- sem incluir Assad -- e congelar todos seus ativos em bancos suíços, em conjunção com uma decisão da União Europeia da semana passada.

Autoridades sírias responsabilizam grupos armados apoiados por islamitas e poderes externos pela maior parte da violência, dizendo que eles também mataram mais de 120 soldados e policiais.

TANQUES ATACAM CIDADE SÍRIA

Nesta quarta-feira tanques bombardearam uma cidade de fronteira pelo quarto dia seguido, na mais recente campanha militar para conter as manifestações.

As tropas entraram em Tel Kelakh no sábado, um dia depois de uma manifestação que exigiu "a queda do regime" -- lema da revolução que derrubou líderes árabes no Egito e na Tunísia e ameaça outros em todo o Oriente Médio.

"Ainda estamos sem água, eletricidade e comunicações", disse um morador de Tel Kelakh, falando por telefone via satélite.

Ele disse que o Exército estava invadindo casas e fazendo prisões, mas se retirava dos bairros após os ataques. Em um sinal de que o Exército estava sendo alvejado na cidade, ele disse que algumas famílias "estão resistindo, preferindo a morte à humilhação".

Uma testemunha do lado libanês da fronteira disse que se podia ouvir artilharia pesada vinda de Tel Kelakh.

Assad disse a uma delegação do distrito de Midan, em Damasco, que as forças de segurança cometeram erros na contenção dos protestos, disse o jornal Al Watan na quarta-feira. Um delegado disse que Assad informou que 4.000 policiais receberiam treinamento "para evitar que os excessos" fossem repetidos.

A Síria tem impedido a entrada da mídia internacional no país, tornando difícil a verificação de denúncias de ativistas e dirigentes.

O proeminente advogado de direitos humanos Razan Zaitouna disse que o Exército e as forças de segurança mataram pelo menos 27 civis desde que se deslocou para Tel Kelakh.

A agência de notícias estatal Sana disse que oito soldados foram mortos na terça-feira em Tel Kelakh e na província de Deraa, onde os primeiros protestos eclodiram há exatamente dois meses, segundo uma fonte militar.

Ele disse que cinco pessoas foram mortas quando um "grupo terrorista armado" disparou contra uma patrulha das forças de segurança, nos arredores de Tel Kelakh, que fica próxima da fronteira norte com o Líbano.

(Reportagem adicional de Andrew Quinn, em Washington, e Nazih Siddiq em Wadi Khaled, no Líbano)

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