EUA lançam iniciativas de paz para o Oriente Médio

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, propôs na segunda-feira uma conferência de paz que reuniria Israel, os palestinos e alguns governos árabes e seria comandada pela secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice. Sob pressão de aliados árabes para romper um impasse que dura anos, Bush marcou a conferência para este ano e anunciou 190 milhões de dólares em ajuda ao governo palestino da Fatah. Bush disse que a conferência, destinada a abrir caminho para um Estado palestino ao lado de Israel, aconteceria no outono boreal, mas não especificou data, local ou quais vizinhos árabes participarão. Em Jerusalém, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, disse ao presidente palestino, Mahmoud Abbas, que Israel vai começar nesta semana a libertar 250 prisioneiros palestinos -- um tipo de medida que, no passado, reforçou a confiança mútua. Bush disse que os palestinos enfrentam um "momento de escolha" entre o grupo militante islâmico Hamas e a visão mais moderada de Abbas, e reiterou sua defesa de um Estado palestino que viva em paz com Israel. "Este é um momento de clareza para todos os palestinos. Agora vem um momento de escolha", disse Bush em discurso na Casa Branca. De acordo com Bush, os participantes da conferência podem "fornecer apoio diplomático para as partes nas suas discussões e negociações bilaterais, de modo que possamos avançar num caminho bem-sucedido em direção a um Estado palestino", disse ele. Bush, que tem apenas mais 18 meses de mandato, disse que vai enviar Rice e o secretário de Defesa, Robert Gates, em breve à região, e que de novo eles vão pressionar por ajuda ao Iraque. Olmert e Abbas se encontraram por duas horas na residência de Olmert em Jerusalém. Eles discutiram "como eles podem chegar a uma solução com dois Estados" no conflito israelo-palestino, segundo Miri Eisin, porta-voz do premiê israelense. Fontes do governo de Israel disseram, entretanto, que eles não discutiram questões mais complicadas, como o destino de Jerusalém, as fronteiras e os refugiados palestinos. Os 190 milhões de dólares anunciados por Bush são para o ano fiscal que termina em 30 de setembro. Países ocidentais saíram em apoio a Abbas com promessa de ajuda renovada depois que a Fatah perdeu para o Hamas o controle sobre a Faixa de Gaza. O objetivo deles é isolar o Hamas, grupo considerado terrorista por Washington, e incentivar iniciativas de paz envolvendo palestinos moderados e Israel. Alguns analistas dizem que a estratégia pode ter efeito contrário, já que Abbas será visto entre os seus como um colaborador de Israel e dos EUA. Enquanto Abbas e Olmert elogiavam Bush por seus novos planos de paz e pela idéia da conferência, Sami Abu Zuhri, porta-voz do Hamas, acusava a Casa Branca de tramar "um complô para lançar uma cruzada contra o povo palestino". (Reportagem adicional de Dan Williams, Ari Rabinovitch e Adam Entous em Jerusalém; Mohammed Assadi em Ramallah; Nidal al-Mughrabi em Gaza)

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