EUA não reconhecem plenamente novo grupo de oposição na Síria

Os Estados Unidos se recusaram nesta quarta-feira a seguir a França no reconhecimento pleno de uma incipiente coalizão de oposição síria, dizendo que o grupo deve antes provar seu valor. O bloco antecessor foi prejudicado por brigas e acusações de dominação islâmica.

Reuters

14 de novembro de 2012 | 17h37

A Síria condenou o novo agrupamento, dizendo que ele fechou a porta a uma solução negociada com o presidente sírio, Bashar al-Assad.

"O mundo inteiro, e a Síria também, diz que o problema na Síria deve ser resolvido dentro de uma estrutura pacífica e por meio de um diálogo nacional, (mas) a primeira decisão tomada após a formação da coalizão em Doha foi rejeitar o diálogo e prosseguir com a guerra", disse o vice-chanceler sírio, Faisal Mekdad.

"Eles querem destruir a Síria", disse ele ao Russia Today em uma entrevista também publicada pela agência estatal de notícias da Síria.

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, disse que a formação da coalizão --que substitui o amplamente desacreditado Conselho Nacional Sírio como o rosto da oposição na Síria-- foi um passo importante, mas não lhe propôs um reconhecimento pleno nem armas.

"Há muito pedimos por esse tipo de organização. Queremos ver essa dinâmica mantida", disse Hillary a jornalistas na cidade australiana de Perth.

"À medida que a oposição síria toma essas medidas e demonstra sua eficácia em promover a causa de uma Síria unificada, democrática e pluralista, estaremos preparados a trabalhar com ela para ajudar o povo sírio."

O novo órgão traz o Conselho Nacional Sírio (o ex-principal grupo da oposição, considerado sob influência dos islâmicos e sem contato com os rebeldes no campo de batalha) dentro de um bloco mais amplo, com facções de dentro e de fora da Síria, incluindo combatentes rebeldes, dissidentes veteranos e minorias étnicas e religiosas.

Na terça-feira, a França saudou a Coalizão Nacional Síria para a Oposição e as Forças Revolucionárias como "o único representante legítimo do povo sírio e como futuro governo de uma Síria democrática", a primeira potência ocidental a ir tão longe.

Seis Estados do Golfo Pérsico haviam dado esse passo no dia anterior, mas a Liga Árabe e a maioria dos países europeus recuaram.

A postura decisiva do presidente francês, François Hollande, com relação à Síria lembrou a de seu antecessor, Nicolas Sarkozy, com relação à Líbia no ano passado, quando a França liderou os pedidos por uma ação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para proteger os civis, que efetivamente ajudou os rebeldes líbios a derrubar Muammar Gaddafi.

(Reportagem de Mariam Karouny)

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