Pablo Monsivais/AP
Pablo Monsivais/AP

EUA pedem ajuda chinesa em pressão na questão nuclear do Irã

Rússia diz que acordo para sanções está perto; para Pequim, punições dificultam saída diplomática para impasse

estadao.com.br,

04 de fevereiro de 2010 | 16h29

A Casa Branca pediu nesta quinta-feira, 4, a colaboração da China para pressionar o Irã contra seu programa nuclear. Em Paris, o ministro de Relações Exteriores chinês, Yang Jiechi, disse que a imposição de sanções ao Irã podem complicar as relações diplomáticas entre os países envolvidos e podem eventualmente dificultar o consenso por uma solução.

"Um Irã nuclear não é do interesse da China", disse o porta-voz da Casa Branca Robert Gibbs.

Mais cedo, o chefe do comitê de Relações Exteriores do Parlamento russo, Konstantin Kosachyov, disse que Moscou e os países ocidentais estão mais próximos de chegar a um acordo sobre novas sanções ao Irã no Conselho de Segurança da ONU. EUA, Reino Unido, França, Rússia e China tem poder de veto no órgão.

Na terça-feira, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad afirmou que o Irã estaria disposto a enriquecer urânio fora do país, como prevê proposta feita pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em outubro.

O diretor da agência iraniana de energia atômica, Ali Akbar Salehi, incluiu na quarta-feira o Brasil, a França e possivelmente o Japão entre os países que o governo do Irã aceitaria enviar urânio para ser enriquecido a 20% e, com isso, evitar suspeita sobre o possível uso militar de seu programa atômico. O Itamaraty negou qualquer contato neste sentido.

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Ainda na quarta, as potências ocidentais reagiram com ceticismo às declarações de Ahmadinejad. EUA, França, Reino Unido e Alemanha pediram ações concretas do Irã e uma comunicação oficial à AIEA de que o regime persa aceita a proposta de outubro. Analistas ocidentais temem que o Irã esteja tentando ganhar tempo com a promessa de Ahmadinejad para evitar sanções.

O embaixador iraniano na AIEA, Ali Asghar Soltanieh, disse hoje à Reuters que as declarações de Ahmadinejad demonstram o desejo do país de cooperar com as potências ocidentais, mas que a agência ainda não foi comunicada sobre a proposta de enriquecer urânio iraniano fora do país.

O acordo fechado em outubro entre o Irã, a AIEA e o grupo formado por EUA , Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha previa o envio de 70% do urânio com baixo índice de enriquecimento (3,5%) para a Rússia e para a França.

O material seria processado e transformado em combustível para um reator nuclear, com enriquecimento de 20%. Para utilização de urânio em armas nucleares, o enriquecimento deve ser superior a 90%.

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