EUA pedem e tropas britânicas vão à fronteira do Iraque com o Irã

Comando americano acusa a elementos próximos ao regime iraniano de ingerência direta no conflito do Iraque

Efe,

12 de setembro de 2007 | 07h01

O Reino Unido enviou parte de suas tropas postadas em Basra, a segunda maior cidade do Iraque, à região da fronteira iraquiana com o Irã, atendendo a um pedido do comando militar americano. O jornal britânico The Independent informa nesta quarta-feira, 12, que a operação, envolvendo 350 militares, atende a um pedido expresso dos Estados Unidos. O comando americano acusa a elementos próximos ao regime iraniano de ingerência direta no conflito do Iraque. Segundo os americanos, os elementos iranianos vêm intensificando ultimamente o fornecimento de armas às milícias xiitas, que preparam para cometer atentados em território iraquiano. O deslocamento das tropas britânicas acontece uma semana depois de as forças do Reino Unido abandonarem o palácio de Basra e recuarem para o aeroporto da cidade, no sul do Iraque. "Pediram que ajudássemos a impedir a passagem de armas pela fronteira iraniana e estou disposto a isso", disse ao jornal o general-de-brigada James Bashall, comandante da primeira brigada mecanizada, com base em Basra. "Sabemos por onde entram as armas e tenho certeza de que poderemos fazer o necessário. As forças dos Estados Unidos estão empenhadas em operações de pacificação, e o que ocorre na fronteira é de especial importância para eles", explicou. A missão mobiliza o Kings Royal Hussars, cujos 250 integrantes haviam recebido neste fim de semana a notícia de que voltariam em breve para o Reino Unido, como parte da gradual retirada das forças britânicas do Iraque. Segundo o Independent, são graves os riscos da operação nas proximidades da fronteira iraniana. Há possibilidade de confrontos com as milícias xiitas apoiadas pelo Irã e até mesmo com tropas iranianas. Além disso, analistas temem represálias, na forma de ataques às forças britânicas na base aérea de Basra, e um aumento da violência na cidade. A situação obrigaria os britânicos a voltar a postar ali parte de suas tropas. Um dos grupos encouraçados atualmente no aeroporto de Basra, o Royal Welsh, realiza manobras na base, a fim de estar preparado para essa possibilidade. Segundo o "Independent", a decisão de voltar a patrulhar a fronteira foi fortemente influenciada pelas divergências públicas entre Reino Unido e EUA sobre a retirada militar britânica. Os chefes militares britânicos sentem que não podem deixar de atender à última solicitação de ajuda de seus colegas americanos. Segundo o general Bashall, "a segurança de Basra continua sendo responsabilidade do Reino Unido, que atuará sempre que for necessário". "Estamos preparados para restabelecer a ordem na cidade se nos pedirem", acrescentou. O general americano Rick Lynch, comandante da Terceira Divisão de Infantaria do Exército, explicou esta semana à imprensa dos EUA que nove homens foram mortos pela explosão de 48 bombas fornecidas pelo Irã. Ele disse que era preciso impedir as ingerências iranianas. Numa conferência sobre cooperação regional, em Bagdá, o Irã acusou os Estados Unidos de ajudar grupos que atacam o território iraniano, partindo da região do Iraque controlada pelos curdos.

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