EUA permitirão que Rússia envie armas ao Exército afegão

Washington e Moscou chegam a acordo para fornecimento de armas e técnica militar russa para forças afegãs

Efe,

20 de junho de 2008 | 15h42

A Rússia e os Estados Unidos alcançaram nesta sexta-feira, 20, um acordo para o envio de armas e técnica militar russa para o Exército do Afeganistão. O acordo foi alcançado em reunião do grupo de trabalho bilateral para a luta contra o terrorismo realizada em Moscou, entre o vice-ministro de Relações Exteriores da Rússia, Serguei Kisliak, e o secretário de Estado adjunto dos EUA, William Burns. "Nossos países cooperam na luta contra o terrorismo, o tráfico de drogas e o crime organizado. As conversas foram muito produtivas, cordiais e profissionais", disse Kisliak em entrevista coletiva conjunta com Burns, ex-embaixador dos EUA em Moscou. O diplomata lembrou que, em sua reunião de abril em Sochi, o presidente americano, George W. Bush, e o então governante russo, Vladimir Putin, decidiram intensificar o trabalho desse grupo de trabalho, que tinha se reunido pela última vez em setembro de 2006. Kisliak destacou como principal resultado da reunião o acordo de princípio sobre o fornecimento de armamento russo para o Exército Nacional do Afeganistão, e expressou a disposição de Moscou de elevar consideravelmente o montante das entregas de material bélico. As partes também acordaram impulsionar os projetos da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) voltados a reforçar a vigilância das fronteiras no Afeganistão e dos países da Ásia Central. Para isso, criarão centros docentes especializados na formação de pessoal dos serviços fronteiriços e de alfândegas dos estados da região. Moscou e Washington se comprometeram também a impulsionar e financiar um projeto do Conselho da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) de formação conjunta de pessoal para a luta contra o tráfico de drogas. Os diplomatas repassaram também alguns assuntos internacionais atuais, mas divergiram sobre determinados problemas, como o conflito em torno ao programa nuclear do Irã. Burns ressaltou que, na opinião dos Estados Unidos, o Irã pode possuir um programa nuclear civil, mas este não deve preocupar a comunidade mundial nem incluir o procedimento de enriquecimento de urânio, que pode ter fins militares. Já Kisliak criticou a decisão do Senado americano de bloquear a ratificação do acordo russo-americano sobre o uso pacífico da energia atômica devido à cooperação de Moscou com Teerã em matéria nuclear. O diplomata assinalou que a Rússia só ajuda o Irã a construir a primeira usina nuclear iraniana em Bushehr, um projeto autorizado e fiscalizado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

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