EUA questionam Otan; confrontos em Misrata deixam 31 mortos

Os Estados Unidos acusaram alguns aliados da Otan de não atuarem com todas as forças na campanha contra Muammar Gaddafi, enquanto o líder líbio manteve o bombardeio na cidade controlada pelos rebeldes de Misrata, onde 31 pessoas morreram em confrontos, segundo médicos.

KHALED AL-RAMAHI, REUTERS

10 de junho de 2011 | 19h05

"A aliança militar mais poderosa da história está apenas 11 semanas em uma operação contra um regime mal armado e um país com baixa densidade populacional -- ainda assim, muitos aliados estão começando a ficar com pouca munição e pedem para os EUA, uma vez mais, para compensar a diferença", disse o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, em um discurso na sede da Otan em Bruxelas.

Gates afirmou que a aliança, focada em campanha pelo ar contra as forças líbias, se arrisca a "irrelevância militar coletiva" a menos que os parceiros europeus aprofundem o seu compromisso com a ação e com os gastos.

"A crua realidade é que haverá diminuição da paciência e do apetite (dos EUA) ... em gastar fundos cada vez mais preciosos em nome de países que aparentemente estão pouco dispostos a dedicar os necessários recursos ou fazer as mudanças essenciais para tornarem-se parceiros sérios e capazes de sua própria defesa", acrescentou Gates.

As potências mundiais deram indicações contraditórias sobre como o impasse na guerra civil pode acabar, com a Rússia tentando mediar uma reconciliação depois que nações ocidentais e árabes se comprometeram a doar 1,1 bilhão de dólares aos rebeldes e pediram a eles para planejar o futuro depois de Gaddafi.

Quando questionado sobre o desgaste entre os parceiros da Otan, Dirk Brengelmann, o secretário-geral assistente da organização para assuntos políticos, disse à Reuters em Rabat que apesar das discussões difíceis nos últimos dias, a aliança ainda estava "sóbria e comprometida" com a Líbia.

A exasperação de Gates foi ecoada pelos rebeldes, que controlam o leste do país e algumas outras áreas, mas não aparentam ser uma ameaça iminente ao regime de Gaddafi.

Ainda que os caças de guerra da Otan tenham aumentado os ataques contra a capital Trípoli, os rebeldes dizem que o líder líbio está organizando ofensivas em várias áreas, aparentemente sem prejuízos causados pela intervenção militar estrangeira.

Em Misrata, médicos disseram que pelo menos 31 pessoas foram mortas e 110 feridas em confrontos entre forças de Gaddafi e rebeldes na cidade sitiada. Confrontos também aconteceram na cidade de Zlitan, 40 km a oeste de Misrata.

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