EUA se dizem preocupados com trabalho nuclear da ONU na Síria

Os Estados Unidos expressaram "fortes reservas" contra a Síria em relação a um projeto de cooperação técnica entre a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e Damasco, durante encontro do órgão de inspeção nuclear da ONU na segunda-feira.

REUTERS

14 de novembro de 2011 | 12h56

Mesmo que o movimento não esteja relacionado com a repressão do governo aos dissidentes no país árabe, foi outro sinal de que Damasco enfrenta crescente pressão internacional. No sábado, a Liga Árabe suspendeu a Síria do grupo.

O projeto apontado pelos Estados Unidos é relacionado ao trabalho preparatório para uma usina nuclear na Síria, esforço da AIEA de ajudar países no uso pacífico do átomo.

Tal ajuda é sensível, já que a tecnologia nuclear pode ter usos militares.

O conselho da AIEA aprovou em junho levar a Síria ao Conselho de Segurança da ONU por esconder seu trabalho atômico.

Relatórios de inteligência dos EUA apontaram que o local, bombardeado por Israel em 2007, era um reator norte-coreano destinado a produzir plutônio para armas atômicas.

A AIEA deu apoio independente à alegação dos EUA e disse em um relatório em maio que era "muito provável" que teria sido um reator. A Síria insiste que o local era uma instalação militar não-nuclear.

Na reunião desta segunda-feira, um alto diplomata norte-americano expressou preocupação sobre o projeto de cooperação técnica na Síria, aprovado pelo órgão em 2009.

Os comentários foram feitos em uma reunião privada, mas disponibilizados à imprensa.

"Nós recomendamos fortemente que a secretaria (da AIEA) monitore o projeto de perto e informe ao conselho conforme o caso", disse o diplomata Robert Wood, vice-chefe da missão dos EUA na AIEA.

Ele defendeu a suspensão ou restrição a projetos que não obedeçam às regras da AIEA.

No início deste ano, a Comissão de Energia Atômica da Síria disse em um documento publicado no site da AIEA que poderia construir sua primeira usina nuclear até 2020 para atender à demanda crescente de energia.

(Reportagem de Fredrik Dahl)

Tudo o que sabemos sobre:
SIRIAAIEAPRESSAO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.