Europa irá apertar as pressões contra o Irã, diz Brown

Reino Unido pode congelar os bens do maior banco iraniano, diz premiê britânico, apoiando sanções de Bush

The New York Times,

16 de junho de 2008 | 15h54

O primeiro-ministro britânico Gordon Brown anunciou nesta segunda-feira, 16, que o Reino Unido e a Europa poderão congelar os bens do maior banco do Irã no exterior, se juntando aos Estados Unidos na intensificação das pressões financeiras contra o Irã, cujo programa nuclear preocupa a comunidade internacional.  Veja também:UE aceita congelamento de bens do Irã, diz porta-voz de BrownIrã retira da Europa US$ 75 bi em reservas, diz jornal Ao lado do presidente americano George W. Bush, em Londres, o premiê também prometeu enviar mais soldados ingleses ao Afeganistão, e indicou que não se dobrará às pressões políticas em casa para retirar as forças britânicas no sul do Iraque mais rapidamente. Os dois líderes afirmaram que continuam abertos para resolver o impasse com o Irã através da diplomacia, mas somente após Teerã suspender o enriquecimento de urânio. Bush e outros líderes alegam que o Irã tem a intenção de desenvolver armas nucleares, enquanto as autoridades iranianas dizem que seu programa tem fins pacíficos. Teerã recebeu com frieza a proposta das potências ocidentais, que no sábado ofereceram incentivos econômicos e diplomáticos para encorajar o país a suspender o enriquecimento e começar a dialogar para resolver as questões do programa nuclear.  Enquanto o Irã ainda não respondeu formalmente à nova proposta, Brown anunciou que a Europa pode restringir transações européias no banco iraniano Melli imediatamente. Ele ressaltou que se o Irã continuar a desafiar as resoluções das Nações Unidas para o enriquecimento de urânio, os líderes europeus poderão considerar sanções contra os investimentos no petróleo iraniano e contra as indústrias de gás natural. O governo iraniano não respondeu imediatamente ao anúncio de Brown, mas economistas em Teerã disseram que as sanções podem provocar tensões no Irã - especialmente no momento em que o país é altamente dependente das importações, principalmente européias - e forçar o Irã a procurar outros parceiros comerciais. "As sanções irão colocar pressões no futuro, mas o Irã pode usar o lucro do petróleo para pagar futuros custos de importação através de bancos menores", disse o economista Saeed Leylaz. "O Irã ainda poderá mudar seu comércio da Europa para a Ásia. Países como a China, Índia e até a Rússia ainda querem comercializar, apesar das sanções." O Conselho Europeu, órgão administrativo da União Européia, ainda não adotou as sanções, porém, diplomatas europeus - falando na condição de anonimato - disseram que os ministros estavam totalmente de acordo na imposição das medidas para o banco em breve.  Há divisões, no entanto, sobre sanções contra o petróleo e gás. Um alto oficial britânico revelou que espera-se que as sanções sejam adotadas "nos próximos dias." Os Estados Unidos há tempos tentam interferir nas transações econômicas do Irã no exterior. A administração Bush impôs várias sanções simbólicas contra o Banco Melli, que concentra a maior parte das transações externas de Teerã. O forte apoio de Brown às políticas de Bush no Irã, Iraque a Afeganistão aparece após o líder americano terminar uma visita de uma semana na Europa. Os dois líderes também falaram sobre o Iraque. "Eu posso dizer que há um trabalho a ser feito no Iraque e nós o continuaremos", disse o premiê britânico. "E não terá um cronograma artificial", completou. Bush ainda visitou a Eslovênia, Alemanha, Itália, Vaticano e a França, em uma viagem que ele definiu como sua "turnê de despedida" há uma semana. Nesta segunda, Bush tinha outra mensagem para a Europa e seus líderes: "A propósito, alguns estão especulando que esta é minha última viagem. Deixem eles especularem. Quem sabe?"

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