Stefan Rousseau/Reuters
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Europa se diz pronta para reconhecer rebeldes líbios na ONU

Presidente do Conselho Europeu promete apoiar Conselho Nacional de Transição

Reuters

15 Setembro 2011 | 18h51

JOHANNESBURGO - A Europa está pronta para reconhecer os rebeldes como o governo legítimo da Líbia nas Nações Unidas, mas ao fazê-lo também pressionará o Conselho Nacional de Transição líbio a ser mais inclusivo, disse nesta quinta-feira, 15, Herman Van Rompuy, presidente do Conselho Europeu.

 

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O belga, em visita à África do Sul, disse que a Europa apoiaria o Conselho como representante líbio na ONU. "Estamos prontos para reconhecer que eles podem ocupar o lugar da Líbia nas Nações Unidas", afirmou.

 

As declarações de Von Rompuy foram feitas na presença do presidente sul-africano, Jacob Zuma, que não reconhece o órgão dos rebeldes como o governo legítimo da Líbia, posição diversa das potências ocidentais e da Nigéria, outro país influente na região. O motivo para a relutância sul-africana é a boa relação que Johannesburgo tem com o regime de Muamar Kadafi.

 

O líder sul-africano, porém, não deixou de se posicionar. Zuma criticou a intervenção aérea conduzida pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contra as tropas e instalações do coronel líbio, mas pediu um "diálogo inclusivo" entre os diferentes grupos políticos líbios na composição do novo governo.

 

Neste ponto, Von Rompuy concordou. "Temos que pressionar e até mandamos uma carta à União Africana para que a Líbia promova um governo inclusivo nos próximos estágios", concluiu o belga.

 

Visita

 

No mesmo dia em que o presidente do Conselho Europeu declarou apoio aos líbios, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, viajaram ao país africano. Recebidos como heróis pelos rebeldes, se tornaram os dois primeiros chefes de governo a visitar a Líbia desde que Kadafi foi expulso de Trípoli.

 

Em Benghazi, onde a insurgência havia estabelecido o Conselho Nacional de Transição, os líderes afirmaram que a Europa "sempre estará ao lado do povo líbio", pediram que Kadafi seja responsabilizado pela repressão durante a revolta e defenderam a continuidade das ações da Otan até que o país esteja completamente seguro e livre do regime de Kadafi, que já durava 42 anos.

 

Em Trípoli, o primeiro-ministro interino da Líbia, Mahmoud Jibril, ressaltou na entrevista coletiva o "nosso agradecimento por essa posição histórica" assumida pela França e pela Grã-Bretanha ao iniciar uma guerra cujo resultado não parecia assegurado de antemão.

Combates

 

Também na quinta-feira, o Conselho Nacional de Transição (CNT) disse que suas forças invadiram Sirte, cidade natal de Kadafi e um dos seus últimos redutos. No entanto, os combatentes enfrentam uma feroz resistência de partidários do regime, inclusive de franco-atiradores, segundo um porta-voz militar.

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