Ex-Al-Qaeda Jose Padilla é condenado a 17 anos nos EUA

Primeiro americano processado como terrorista, Padilla era centro de polêmica sobre política antiterror

CLAUDIA BOYD-BARRETT, REUTERS

22 de janeiro de 2008 | 16h32

Jose Padilla, membro de uma gangue de Chicago acusado pelo governo americano de planejar um ataque com "bombas sujas" radioativas, foi condenado pela Justiça nesta terça-feira, 22, a 17 anos e quatro meses de prisão por dar apoio ao terrorismo.  A sentença imposta pela juíza distrital Marcia Cooke é mais um capítulo na odisséia legal e pessoal do muçulmano convertido de 37 anos, um cidadão americano mantido por três anos e meio como inimigo combatente depois de sua prisão em 2002 e as alegações sobre a "bomba suja". Ele podia ser sentenciado à prisão perpétua. A prisão de Padilla foi inicialmente retratada pela administração Bush como uma importante vitória depois do atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, e uma prova da capacidade do governo de evitar o terrorismo doméstico. Mas a sentença de 17 anos e quatro meses foi considerada uma derrota para o governo Bush, já que a administração pedia a pena máxima para Padilla. A juíza Marcia também sentenciou à prisão dois outros homens do Oriente Médio que foram condenado por acusações de conspiração e apoio material junto com Padilla em agosto último. Procuradores acusam os três de pertencerem a uma célula norte-americana da Al-Qaeda. O réu Adham Hassoun foi condenado a 15 anos e 8 meses na prisão e Kifah Jayyousi passará 12 anos e oito meses na cadeia. Jayyousi também assistiria células extremistas islâmicas na Chechênia, Afeganistão, Somália e em outras partes do mundo. Os três homens foram condenados depois de um julgamento de três meses baseado em dezenas de milhares de interceptações telefônicas feitas pelo FBI (polícia federal) em oito anos de investigação e em um formulário preenchido em 2000 por Padilla para participar de um curso de treinamento da Al-Qaeda no Afeganistão. Padilla foi incluído, em 2005, num caso de terrorismo já em andamento em Miami, no momento em que a Suprema Corte analisava um pedido para reverter a decisão do presidente George W. Bush de mantê-lo detido indefinidamente sem acusação formal. As acusações relativas à "bomba suja" foram discretamente abandonadas e numa fizeram parte do processo criminal.  A juíza Marcia disse ao recusar a prisão perpétua que apesar de os crimes serem "sérios", nenhum ato de terrorismo foi conduzido em território americano.  Padilla, um antigo integrante de gangue em Chicago com uma longa ficha criminal, converteu-se ao Islã na prisão e foi recrutado por Hassoun numa mesquita de Miami.

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