Ex-generais e outros 18 são presos por conspiração na Turquia

Polícia alega que militares da reserva tramavam para derrubar o governo; divergência política se amplia no país

Agência Estado e Associated Press,

01 de julho de 2008 | 16h42

A polícia turca deteve dois generais da reserva suspeitos de conspirarem para derrubar o governo do país, comandado por um partido de raízes islâmicas, enquanto o procurador da República da Turquia mostrou provas contra o partido governista, à medida que a divergência política se amplia na país. No total, vinte pessoas foram detidas por suposta conspiração.   O procurador mais graduado do país levantou um caso contra o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, na sigla em turco), do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, acusando-o de minar os princípios seculares da Constituição da Turquia.   O AKP nega as acusações de que tenta impor a religião islâmica na política e à sociedade, e acusa seus oponentes de infringir a democracia ao conspirar para derrubar o governo legitimamente eleito.    Os ex-generais Hursit Tolon e Sener Eruygur, detidos nesta terça, são os ex-militares de mais alta patente envolvidos na suposta conspiração, informou a rede CNN.   Erdogan disse que a polícia busca mais quatro supostos conspiradores. Ele negou que a operação policial tenha motivações políticas ou tenha sido lançada para perseguir críticos do governo, mesmo que ela tenha sido deslanchada algumas horas antes do procurador mor do país, Abdurrahman Yalcinkaya, ter apresentado seu caso contra o AKP.   O AKP tem uma maioria confortável no Parlamento, obtida nas eleições do ano passado após uma confrontação política contra a oposição secularista, que foi apoiada pelos militares e o judiciário.   Em março, o procurador Yalcinkaya pediu à Corte Constitucional para fechar o AKP e banir 71 pessoas da política por cinco anos, incluído o premiê Erdogan e o presidente Abdullah Gul, que também é do AKP. Erdogan, Gul e outros integrantes do AKP negam ter uma agenda islâmica e citam como prova disso as reformas que conduzem, que têm na mira o ingresso da Turquia na União Européia.   Alerta   Yalcinkaya reafirmou sua posição nesta terça-feira, de que o partido AKP tenta corroer os fundamentos seculares da Constituição, informou a agência oficial de notícias da Turquia, a Anatólia. Ele disse na Corte Constitucional em Ancara que existe um perigo "claro e presente" de que o AKP esteja impondo a lei islâmica na Turquia.   Enquanto isso, a polícia turca lançou operações simultâneas em três províncias, horas antes de Yalcinkaya ir ao tribunal, informou a agência de notícias turca Dogan.   O Ergenekon é um partido nacionalista turco de ideologia extremista, cuja lista de inimigos a serem eliminados inclui o escrito turco Orhan Pamuk, prêmio Nobel de literatura de 2006 e autor dos romances "Meu Nome é Vermelho" e "Neve."   Pamuk fez comentários sobre o genocídio dos armênios pelos turcos na I Guerra Mundial (1915) e também sobre a repressão turca aos curdos, o que enfureceu os nacionalistas.   Em janeiro, um tribunal acusou oito pessoas de tentarem provocar uma rebelião armada contra o governo. Reportagens da época afirmam que os detidos faziam parte do Ergenekon e planejavam uma série de ataques a bomba e assassinatos.

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