Ex-premiê Allawi diz que fará parte do novo governo do Iraque

O ex-primeiro-ministro do Iraque, Iyad Allawi, cuja a coalizão apoiada por sunitas ganhou boa parte dos assentos do Parlamento iraquiano nas eleições de março, encerrou semanas de vai-e-vem neste domingo e declarou que fará parte do novo governo que será anunciado nesta segunda-feira.

AHMED RASHEED, REUTERS

19 de dezembro de 2010 | 16h17

A decisão de Allawi tira um obstáculo das longas e disputadas negociações entre xiitas, sunitas e curdos para formar um novo governo, depois da eleição sem um resultado conclusivo.

O premiê Nuri al-Maliki deve apresentar o seu novo gabinete ao Parlamento nesta segunda. Ele vai ganhar um segundo mandato se os legisladores aprovarem o gabinete e o seu programa de governo.

Autoridades afirmam que Maliki vai reconduzir aos cargos o ministro do Petróleo, Hussain al-Shahristani, e o do Exterior, Hoshiyar Zebari.

A indicação de um novo governo pode ser um sinal de segurança para os investidores. O Iraque tem tentado aumentar a produção de petróleo e reconstruir a sua infraestrutura.

A participação de Allawi e de sua coalizão com apoio diversificado pode ajudar a afastar a preocupação com a possibilidade de novos conflitos no Iraque. Depois de anos de guerra e ocupação, a retirada das tropas dos Estados Unidos está prevista para o fim de 2011.

Os iraquianos tem esperado por um novo governo desde as eleições de 7 de março, cujo resultado mostrou a fragilidade da nascente democracia do país e o quão profundas são as suas divisões étnicas.

Allawi, um xiita secular, queria tirar do poder o premiê xiita Maliki, depois que a sua coalizão, com forte apoio dos sunitas, levou 91 assentos do Parlamento. No entanto, ele não conseguiu formar as alianças necessárias para ter maioria parlamentar.

Ele havia alertado que qualquer tentativa de marginalizar a sua coalizão poderia fortalecer uma insurgência enfraquecida, mas ainda com poder letal.

Washington e os vizinhos do Iraque estavam ansiosos para garantir a representação do bloco de Allawi no governo.

Allawi afirmou que aceitaria o cargo de chefe de um conselho de políticas estratégicas que foi oferecido num acordo com Maliki e o curdo Masoud Barzani, em novembro.

"Aceitaremos a liderança desse conselho, com base nos acordos feitos e assinados," disse Allawi à imprensa. "Se houver alguma mudança nos acordos, então a história passa a ser diferente."

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