Ex-premiê Jibril amplia vantagem na apuração líbia

A Aliança das Forças Nacionais, dirigida pelo político Mahmoud Jibril, ampliou sua liderança sobre os grupos islâmicos na apuração da histórica eleição parlamentar de sábado na Líbia, conforme uma nova totalização divulgada nesta quarta-feira que inclui votos da importante cidade de Benghazi.

MARIE-LOUISE GUMUCHIAN, Reuters

11 de julho de 2012 | 18h49

Observadores elogiaram o transcurso da primeira eleição nacional livre em seis décadas no país, apesar de incidentes que causaram dois mortos no dia da votação.

Os resultados parciais indicam, por enquanto, uma esmagadora derrota do Partido Justiça e Construção (PJC), braço político da Irmandade Muçulmana da Líbia.

O resultado contrasta fortemente com as eleições realizadas nos vizinhos Egito e Tunísia depois das revoltas da Primavera Árabe no ano passado, que acabaram dando maioria parlamentar a políticos islâmicos.

Benghazi, berço da revolução que derrubou o regime de Muammar Gaddafi, era considerado um reduto do PJC, e lá ocorreram no sábado protestos de grupos que pleiteiam mais autonomia para o leste da Líbia em relação a Trípoli, a capital, que fica no oeste.

Mas com 70 por cento dos sufrágios apurados, a AFN, de Jibril, lidera com 95.733 votos, contra 16.143 do PJC, segundo dados oficiais.

A aliança, que agrupa cerca de 60 partidos moderados, também havia obtido resultados expressivos em outras partes do país, inclusive em cidades do leste, como Derna, vistas tradicionalmente como redutos dos radicais islâmicos.

A comissão eleitoral nacional inicialmente prometeu divulgar os resultados preliminares completos até quarta-feira, mas não está claro quando serão apresentados os primeiros números de Trípoli.

Seja como for, a vitória de Jibril não se traduz automaticamente em um domínio da futura assembleia de 200 membros que irá nomear um primeiro-ministro e um gabinete antes de convocar a eleição parlamentar plena para 2013.

Isso ocorre porque os candidatos das listas partidárias disputam apenas 80 vagas, enquanto as outras 120 serão distribuídas entre candidatos independentes, cujas lealdades são difíceis de aferir.

Muitos dos candidatos do PJC eram pouco conhecidos ou enfrentavam resistências por causa da percepção local de que o partido tem ligações com a Irmandade Muçulmana do Egito, o que contraria o forte senso local de soberania nacional.

A Irmandade Muçulmana da Líbia sempre negou ter ligações formais com o grupo homólogo do Egito, mas nunca conseguiu dissipar a impressão de que as duas agremiações têm fortes identidades ideológicas.

(Reportagem adicional de Hadeel Al-Shalchi e Ali Shuaib, em Trípoli)

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