Ex-premiê pede governo interino no Iraque para evitar violência

Para Iyad Allawi, prolongar formação de liderança só dará chance a terroristas para 'matar mais gente'

Associated Press

28 de abril de 2010 | 10h44

BAGDÁ - O ex-primeiro-ministro do Iraque, Iyad Allawi, candidato que obteve mais votos nas eleições de 7 de março no país, pediu nesta quarta-feira, 28, a formação de um governo interino com a supervisão imparcial de órgãos internacionais para prevenir que a nação mergulhe em uma onda de violência e para evitar que o resultado do pleito seja alterado.

 

Veja também:

especialEspecial: Guerra no Iraque - do início ao início do fim

 

Allawi, um xiita secular cuja coalizão venceu por uma margem bastante pequena de votos, disse que desqualificar os candidatos e realizar recontagem de votos ´r uma tentativa de "roubar as vontades do povo iraquiano".

 

O pedido de Allawi ocorre após um tribunal desqualificou um dos candidatos de sua coalizão por supostas ligações com o regime do ex-ditador Saddam Hussein. As autoridades eleitorais confirmaram que outros nove candidatos, sendo sete do grupo de Allawi e um do bloco do atual premiê, Nouri al-Maliki, estavam sendo investigados. Hamdiya al-Hussaini, funcionário da comissão eleitoral, disse que a decisão sobre esses candidatos deve ser tomada na segunda-feira.

 

A desqualificação dos candidatos de Allawi favoreceria a coalizão do Estado de Direito, de al-Maliki, que ficou com apenas dois assentos a menos no Parlamento que o grupo secular de Allawi, o al-Iraqiya.

 

Se os sete candidatos da al-Iraqiya forem banidos, a proporção partidária dentro dos 325 assentos do Parlamento mudaria e poderia colocar a coalizão de al-Maliki na liderança do país. Caso isso aconteça, a minoria sunita protestaria, talvez de forma violenta, já que depositou toda a confiança no bloco de Allawi.

 

"Certamente o que irá acontecer é um roubo da democracia e da vontade iraquiana, minando a segurança do país. Nós pedimos a formação de um novo governo interino", disse Allawi ao canal al-Sharqiya. O ex-premiê pediu a ajuda de organizações como a ONU, a Liga Árabe, a União Europeia e a Organização da Conferência Islâmica para estabelecer a nova liderança imparcial. Segundo ele, mais atrasos em formar um novo governo só dará aos "terroristas" a oportunidade de matar mais pessoas.

 

A vitória estreita da al-Iraqiya foi imediatamente contestada por al-Maliki logo após a divulgação oficial dos resultados. Um tribunal eleitoral atendeu aos pedidos da Aliança do Estado de Direito para recontar os votos em Bagdá, o que deve acontecer no fim desta semana. A coalizão do atual premiê também teve o apoio da Comissão de Justiça do país, que barrou vários candidatos de disputarem as eleições por supostos laços com o partido Baath, de Saddam Hussein. Muitos dos barrados eram sunitas.

 

Na terça-feira, a al-Iraqiya se reuniu em caráter de urgência e decidiu enviar uma carta ao poder Judiciário pedindo "intervenções para proteger o sistema judiciário das pressões políticas". O fato de que várias recomendações da comissão eleitoral foram aprovadas e que a única recontagem autorizada foi um pedido de al-Maliki gerou suspeitas de que o órgão, chamado de "ilegal e ilegítimo" por Allawi, seria favorável ao atual premiê.

 

O comunicado do partido foi classificado como "um aviso final". O porta-voz de Allawi disse que o bloco considera deixar o sistema político do país ou ainda repetir as eleições.

Tudo o que sabemos sobre:
IraqueeleiçõesAllawial-Maliki

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.