Ex-presidente de Israel é indiciado por estupro

Moshe Katsav se diz inocente de acusações e rejeitou acordo com a Promotoria em 2008

Efe,

19 de março de 2009 | 09h40

O Escritório da Procuradoria Geral do Estado acusou oficialmente o ex-presidente israelense Moshe Katsav pelos crimes de estupro, agressão sexual e atos indecentes em relação a funcionárias que trabalhavam sob sua responsabilidade. O ata de acusação contra Katsav foi apresentada no Tribunal do Distrito de Tel Aviv, informou a imprensa local nesta quinta-feira, 19.

 

O documento inclui dois casos de estupro e atos indecentes contra uma subordinada que trabalhava no Ministério do Turismo, quando Katsav era titular dessa pasta, e que foi identificada como "A", e outros dois casos de agressão sexual contra "H" e "L", trabalhadoras no escritório da Presidência durante o mandato como chefe do Estado. A Procuradoria chamou 56 testemunhas a depor, entre eles as litigantes e vários funcionários públicos. Katsav, que em 2007 teve que deixar o cargo devido às suspeitas, defendeu o tempo todo sua inocência e acusou a imprensa de ter lançado uma campanha de "linchamento midiático" contra ele.

 

Em 2008, a Corte Suprema de Israel apoiou um acordo alcançado um ano antes fora dos tribunais entre a Procuradoria e o ex-presidente israelense, pelo qual eximia Katsav dos dois crimes de estupro, puníveis com prisão. Nesse acordo, Katsav era acusado apenas de ter abraçado e acariciado uma de suas funcionárias quando era ministro do Turismo, no final dos anos 90, e de tê-la beijado na boca. Também era acusado de ter beijado no pescoço e abraçado outra funcionária, desta vez sendo presidente de Israel, entre 2000 e 2007, no que ele qualificou de "gestos de amizade", e não "expressões sexuais".

 

O acordo foi duramente criticado no país por ser muito complacente. Mas, em um passo inesperado, Katsav voltou atrás e rejeitou o acordo em abril de 2008, dizendo que queria lutar por sua inocência. O ex-presidente acusou a mídia de estar realizando uma caça às bruxas contra ele, com motivação política. Katsav foi presidente do Estado judeu entre 2000 e 2007, ano em que foi substituído no cargo por Shimon Peres.

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