Ex-presos libaneses dizem que continuarão lutando contra Israel

Militantes soltos na troca de prisioneiros afirmam que seguirão os passos de líder assassinado do Hezbollah

Associated Press,

17 de julho de 2008 | 15h18

Os cinco militantes libaneses que foram soltos como parte da troca de prisioneiros com Israel rezaram nesta quinta-feira, 17, no túmulo de um comandante militar assassinado do Hezbollah, prometendo seguir seus passos e continuar a luta contra Israel. Veja também:Israel sepulta corpos de soldados entregues pelo HezbollahKantar passa de assassino cruel a herói no Líbano  Troca de prisioneiros reabre ferida israelense  Líder do Hezbollah recebe ex-prisioneiros em Beirute Com uniformes militares, os homens caminharam sob um tapete vermelho posto para eles do lado de fora do túmulo de Imad Mughniyeh, em um cemitério no sul de Beirute. Mughniyeh, figura misteriosa que Israel e o Ocidente acusam de planejar ataques terroristas nos anos 80 e 90, foi morto na explosão de um carro-bomba em fevereiro. O Hezbollah e seus militantes o consideram um herói. O grupo xiita apelidou a troca de presos de quarta-feira de "Operação Radwan", em referência ao nome de guerra de Mughniyeh, Hajj Radwan. "Nós juramos por Deus que continuaremos seu caminho e não iremos recuar até conseguirmos a mesma estatura que Deus lhe concedeu", disse Samir Kantar, o libanês que passou mais tempo preso em Israel. Ele foi condenado por um ataque em 1979 que matou um policial israelense, um pai e seus dois filhos. Kantar se referiu ao "martírio" de Mughniyeh dizendo que "esse é nosso maior desejo. Invejamos você e vamos conseguir (o mesmo), Deus queira". O ex-prisioneiro e outros quatro libaneses foram soltos por Israel em troca dos corpos de dois soldados israelenses capturados pelo Estado judeu em 2006. O acordo foi mediado durante os últimos 18 meses por um oficial alemão indicado pela ONU. Mais cedo, centenas de pessoas receberam Kantar em sua cidade natal, Abey, ao sul de Beirute. "Ontem, a essa hora, eu estava nas mãos do inimigo (Israel). Mas, nesse momento, eu tenho mais vontade do que antes de combatê-lo", afirmou o ex-prisioneiro. As armas do Hezbollah são uma "linha vermelha" que ninguém está permitido a atravessar, declarou ele aos repórteres. Israel também entregou ao Líbano os restos mortais de cerca de 200 de militantes libaneses e palestinos que foram mortos durante confrontos com israelenses nas últimas três décadas. Mensagem israelense Ainda nesta quinta, muitos libaneses reclamaram que receberam ligações com mensagens gravadas de Israel prometendo uma "dura retaliação" a qualquer ataque futuro do Hezbollah. Segundo eles, as mensagens automáticas também alertaram contra a permissão do Hezbollah para formar "um Estado dentro de um Estado" no Líbano. A ligação terminaria com as palavras "o Estado de Israel." Não havia confirmação imediata do governo israelense, apesar de queixas similares apareceram durante o conflito entre Israel e Hezbollah em 2006.  Israel nunca confirmou o envolvimento nas chamadas, mas sabe-se que o Estado judeu usa várias técnicas psicológicas para tentar persuadir os libaneses a não apoiar o grupo xiita. A agência oficial de notícias libanesa informou que residentes de Beirute, do sul e do leste do Líbano receberam as ligações.  De acordo com a agência, o ministro de Telecomunicações do país, Jibran Bassil, entrou em contato com as Nações Unidas para se queixar do incidente, classificando-o como um "flagrante de agressão contra a soberania libanesa."

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