Ex-soldado israelense é criticada por fotos com prisioneiros no Facebook

Ex-recruta Eden Abergil divulgou fotos de palestinos vendados e amarrados na Cisjordânia

ORI LEWIS, REUTERS

16 de agosto de 2010 | 17h30

Título dado por Eden ao álbum é 'Exército, a melhor época da minha vida'

 

JERUSALÉM- Uma soldado israelense exonerada foi criticada nesta segunda-feira, 16, por autoridades israelenses e palestinas por postar fotos suas no Facebook, posando ao lado de palestinos vendados e amarrados.

A ex-recruta Eden Abergil é vista em duas fotos de seu álbum intitulado "Exército - a melhor época de minha vida" ao lado de homens palestinos vendados e com as mãos amarradas, em local não identificado da Cisjordânia ocupada.

As outras 26 fotos visíveis no álbum mostram Abergil posando com amigos e companheiros de seus tempos de serviço militar.

Não foi possível falar com Abergil, que não responde mais diretamente às Forças Armadas, já que foi dispensada, mas um porta-voz do Exército disse que ela ainda poderá ser responsabilizada por suas ações.

"Em luz do fato de que ela foi dispensada no ano passado, todas as informações foram entregues a comandantes para serem submetidas à atenção deles", disse o porta-voz.

Ele se negou a dizer que tipo de ação pode ser tomada contra Abergil, mas disse que as Forças Armadas estudam a possibilidade de mover uma ação judicial contra ela. Um porta-voz da polícia disse que não tem conhecimento de qualquer queixa civil registrada com relação ao assunto.

"Trata-se de comportamento vergonhoso da soldado", disse o porta-voz militar.

Um comunicado do Centro Palestino de Governo e Mídia disse que as fotos são humilhantes e pediu o fim dessas práticas.

"Isso revela a mentalidade do ocupante: ter orgulho de humilhar palestinos. Isso deve acabar, e os direitos e a dignidade dos palestinos devem ser respeitados", diz o comunicado.

Israel controla boa parte da Cisjordânia ocupada, capturada em uma guerra de 1967. Os palestinos querem o território como parte de um futuro Estado palestino, ao lado da Faixa de Gaza e de uma capital palestina em Jerusalém oriental.

Em casos em que soldados e policiais israelenses suspeitam que palestinos estejam envolvidos em infrações de segurança, os palestinos às vezes são amarrados e vendados enquanto aguardam ser levados para interrogatório.

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