Ex-vice de Saddam deve começar a ser julgado no Iraque

Tariq Aziz é acusado de executar 40 comerciantes; outros sete membros do regime se apresentam à Justiça

Agências internacionais, REUTERS

29 de abril de 2008 | 08h16

Tariq Aziz, que foi vice-primeiro-ministro durante a Presidência de Saddam Hussein e um dos rostos mais conhecidos do regime, deve começar a enfrentar nesta terça-feira, 29, o julgamentos pelas acusações de executar mais de 40 comerciantes em 1992. O início do julgamento foi adiado por várias horas nesta terça-feira por causa de "questões organizacionais e de procedimentos", anunciou o magistrado Raouf Abdul-Rahman, presidente do júri. O julgamento deveria ter começado às 10h15 locais, mas teve seu início adiado para as 17h porque os réus não foram levados ao tribunal a tempo, anunciou o juiz.   Os mercadores eram acusados de aumentar os preços de produtos essenciais, contrariando a política estatal à época em que o Iraque sofria com as sanções importas pelas Nações Unidas devido à invasão do Kuwait, em 1990. Aziz se entregou às forças norte-americanas em abril de 2003. Há muito ele reclama da saúde debilitada.   Aziz, de 72 anos, era o único cristão caldeu do governo de Saddam e foi ainda ministro de Relações Exteriores durante a invasão do Kuwait e a Guerra do Golfo de 1991, além de ter sido testemunha nos julgamentos de ex-membros do regime. Porém, esta é a primeira vez que ele é acusado.   Segundo o advogado Badia Arif, citado pelo jornal El Pais, as acusações contra Aziz carecem de fundamento. "A Justiça se baseia unicamente no fato de que ele foi membro com Comando do Conselho Revolucionário, responsável pelas execuções, para declará-lo culpado", afirmou. O ex-premiê se entregou às forças americanas em abril de 2003 e desde então sobre problemas de saúde.   Enfrentam a Justiça a partir desta terça ainda outros sete membros do regime, incluindo Watban Ibrahim al Hassan, estreito colaborador de Saddam Hussein e ministro do Interior na época das execuções. Outro processado é Sabaawi Ibrahim al-Hassan, antigo alto responsável pela segurança, segundo afirmou o porta-voz do tribunal, Aref Shaheen. Se apresentam também o ex-ministro do Comércio e antigo governador do Banco Central.   Outro ilustre processado é Ali Hassan al-Mayeed, conhecido como Ali Químico, primo de Saddam e condenado à morte por genocídio e responsabilizado pela morte de 100 mil curdos em uma campanha militar no norte do Iraque em 1988, a operação Anfal. Al-Majeed ficou conhecido como Ali Químico pela uso intenso de gás mostarda e outros elementos químicos na campanha contra os curdos.   Segundo a BBC, a Anfal (em português: Espólios de Guerra) ocorreu entre fevereiro e agosto de 1988. Oficialmente, foi uma campanha de repressão contra o movimento separatista curdo no norte do país. Com a morte de 180 mil civis, os curdos vêem a campanha como um genocídio. Foram usados gás mostarda e agentes nervosos nos ataques. Outras vítimas foram sumariamente executadas, ou morreram em cativeiro.   O Alto Tribunal Iraquiano foi formado para julgar os antigos membros do governo de Saddam, executado em dezembro de 2006, depois da condenação por crimes contra a humanidade pela morte de 148 homens e meninos xiitas depois de uma tentativa de assassinato em 1982.

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