Exército diz que relatório de Israel confirma vitória do Líbano

Possível futuro presidente libanês diz que Beirute continua sendo um "objetivo" do governo israelense

Efe e Associated Press,

31 de janeiro de 2008 | 08h10

O chefe do Exército e candidato de consenso à Presidência libanesa, Michel Suleiman, disse nesta quinta-feira, 31, que o relatório Winograd, elaborado em Israel sobre o conflito as milícias do Hezbollah no Líbano em 2006, confirma a vitória de instituição e da resistência de Beirute.  A guerra de 2006 no Líbano "foi um grande e grave fracasso", concluiu o relatório final da comissão que investigou a condução do governo de Israel do conflito com o grupo xiita. No entanto, a Comissão apontada pelo governo disse que o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, e o então ministro da Defesa Amir Peretz agiram de forma "sincera" e pelo "bem dos interesses de Israel". "Não esperávamos que Israel condenasse oficialmente seu Exército e seu governo", disse o militar, em declarações ao jornal As Safir, em referência ao relatório divulgado nesta quarta-feira por uma comissão independente em Israel. "No que nos diz respeito como instituição militar, o dossiê reconhece que Israel tomou a decisão da guerra contra o Líbano, com tudo o que implica de devastação, destruição e vítimas, sem nenhuma justificativa", acrescentou. Para o general, este fato "reforça nossa confiança em nós mesmos como libaneses e nos mostra que a vitória comum foi obtida graças à heróica resistência que mantivemos, e que levou à derrota de Israel". Entre 12 de julho e 14 de agosto de 2006, Israel lançou uma ofensiva contra o sul do Líbano que deixou mais de 1.200 mortos, 5.000 feridos, 1 milhão de deslocados e grandes danos materiais, avaliados em vários milhões de dólares. Erros graves O juiz aposentado Eliahu Winograd, que liderou a comissão de cinco investigadores, disse: "Encontramos graves falhas nas tomadas de decisão, tanto no nível militar quanto político." Mas ele disse que a ofensiva lançada nos últimos dias da guerra, enquanto uma trégua era negociada, foi essencial.  Winograd chamou o conflito de uma "oportunidade desperdiçada", que terminou sem uma clara vitória sobre o Hezbollah. A guerra começou em 12 de julho, após o seqüestro de dois soldados israelenses, e terminou em 14 de agosto de 2006, com um acordo de trégua. O conflito matou 1.200 pessoas no Líbano, a maioria civis, e 159 israelenses, a maioria soldados. Para Suleiman, estas palavras mostram que "o Líbano foi e continua sendo um objetivo. Portanto, nosso dever como Estado, Exército, resistência e povo é manter a vigilância para prevenir qualquer sedição devastadora". O general também insistiu na importância de não separar o Exército e a resistência, liderada pelo grupo xiita Hezbollah: "Nenhuma força do mundo terá êxito em quebrar a relação entre o Exército e a resistência, quaisquer que forem os sacrifícios e o preço que tenhamos que pagar". Em Beirute, o deputado do Hezbollah Hussein Haj Hassan opinou que o relatório sublinha a vitória do movimento islâmico. "O relatório Winograd é um reconhecimento da responsabilidade de Israel pela guerra e sua derrota", afirmou.

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