Exército do Irã treina resposta a ataque químico

Manobras militares devem durar 5 dias; objetivo é se prepararm contra ataques às instalações militares

AE, Agência Estado

23 Novembro 2009 | 10h04

O Exército do Irã realizou hoje um ensaio destinado a fazer frente a possíveis ataques químicos contra seu território e testou radares de fabricação própria no segundo dia de uma série de manobras militares, informou hoje a agência semiestatal de notícias Isna. Durante o treinamento, as forças iranianas demonstraram como isolar áreas atingidas por ataques químicos e como responder a eventuais agressões aéreas no caso de seus sistemas de radar estarem fora de funcionamento, diz o despacho.

Os jogos de guerra fazem parte de uma série de manobras iniciada ontem e que terá duração total de cinco dias. O objetivo da ação é se preparar, da estratégia à prática, para respostas a eventuais ataques às instalações militares do país.

O Irã acusa as forças do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein de terem promovido atentados com gases venenosos contra diversas partes do país durante da Guerra Irã-Iraque (1980-1988). O general de brigada Ali Moghiseh, porta-voz do Exército para as manobras, disse que os participantes testaram radares de diversos calibres, todos eles de fabricação iraniana.

No fim de semana, o comandante da Força Aérea da Guarda Revolucionária iraniana, general Amir Ali Hajzade, minimizou as ameaças feitas por Israel contra seu país, ao dizer que fazem parte apenas de uma guerra psicológica. "Temos certeza que eles não podem fazer nada contra nós, já que não podem prever qual será nossa reação", afirmou Hajzade, citado pelo website da Guarda Revolucionária. Ainda segundo ele, as forças iranianas de defesa aérea estão prontas para "aniquilar" aviões de guerra de Israel caso ataquem a república islâmica.

Programa nuclear

As manobras militares ocorrem em um momento no qual potências ocidentais pressionam o Irã a aceitar um acordo por meio do qual a república islâmica enviaria a maior parte de seu urânio para enriquecimento na Rússia. Na semana passada, o chanceler do Irã, Manouchehr Mottaki, indicou que seu país não enviaria urânio para enriquecimento no exterior, mas disse que a república islâmica ainda estaria aberta a negociar algum intercâmbio nesse sentido.

As potências ocidentais reagiram aos comentários com pessimismo, qualificando-os como um indício claro de que o Irã não aceitaria um acordo sem eventuais alterações, com as quais os Estados Unidos e seus aliados provavelmente não concordariam. O enriquecimento de urânio é um processo essencial para a geração de combustível usado no funcionamento das usinas nucleares. Em grande escala, o urânio enriquecido pode ser usado para carregar ogivas atômicas.

Israel ameaça promover um bombardeio preventivo contra o Irã para impedi-lo de levar adiante seu programa nuclear. Israel, que considera o Teerã uma ameaça a sua existência, acredita que as usinas atômicas iranianas teriam fins bélicos.

Os EUA e alguns de seus aliados também suspeitam que o Irã desenvolva em segredo um programa nuclear bélico. Teerã sustenta que seu programa nuclear é civil e tem finalidades pacíficas, estando de acordo com as normas do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, do qual é signatário. As informações são da Dow Jones.

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