Exército do Líbano diz que vai intervir para deter conflitos

Ordem deve ser implementada a partir de terça-feira; choques entre oposição e governo já deixam 81 mortos

Reuters e Efe,

12 de maio de 2008 | 17h24

O Exército libanês disse que usará a força a partir de terça-feira, 13, para cessar o conflito no país entre forças governistas e oposicionistas, que tem feito lembrar a guerra civil ocorrida no país entre 1975 e 1990. "Unidades do Exército vão deter as violações de acordo com a lei, mesmo que isso leve ao uso da força", disse um comunicado militar na segunda-feira, 12. A ordem deve ser implementada a partir das 6 horas de terça, no horário local.       Veja também: Em meio a crise, Líbano adia eleições para 10 de junho Confrontos violentos no Líbano se espalham pelo país Advogado brasileiro no Líbano relata o clima e tensão no país  Entenda as divisões e a crise política  Na cidade de Tripoli, ao norte, atiradores sunitas, pró-governo, e militantes aliados ao Hezbollah se enfrentaram em um combate violento. O levante começou quando o Hezbollah, apoiado pelo Irã, e seus aliados invadiram os redutos de seus inimigos sunitas em Beirute, na semana passada.   Seis pessoas ficaram feridas em trocas de tiros entre sunitas na área de Bab Tebbaneh, em Tripoli, e militantes pró-Hezbollah, lotados em Jebel Mohsen, disseram forças de segurança. O Hezbollah e seus aliados pró-Síria têm varrido Beirute e as montanhas ao leste em uma série de dramáticas vitórias desde 7 de maio, derrotando forças leais ao governo apoiado pelos Estados Unidos.   Oposição   Ainda nesta segunda-feira, o líder opositor cristão Michel Aoun assegurou em entrevista coletiva em Beirute que não haverá estabilidade no Líbano até que o governo do sunita Fouad Siniora apresente sua renúncia. Aoun explicou que a principal causa da crise não era o bloqueio da rota do aeroporto, fechada por milicianos do Hezbollah na semana passada, mas a atuação do atual Executivo.   O dirigente cristão voltou a exigir a formação de um governo de união nacional e a reforma da lei eleitoral, e ressaltou que, caso o atual gabinete de Siniora não renuncie, os combates serão retomados.   Aoun acusou o Executivo de ter detonado a atual crise, em alusão à decisão de desmantelar a rede de telecomunicação do grupo xiita Hezbollah, líder da oposição, e de destituir o chefe da segurança do aeroporto.   "A crise se deve a problemas acumulados há muito tempo. Pedir o desarmamento ou a retirada dos grupos armados não acabará com o conflito", afirmou.     Desde quarta-feira, 7, pelo menos 81 pessoas morreram e 250 ficaram feridas nos enfrentamentos entre partidários da maioria parlamentar e a oposição que começaram em Beirute e se estenderam a vários pontos do país.   Eleições   O país adiou para 10 de junho a sessão parlamentar para eleger um novo presidente, anunciou um porta-voz do Parlamento, nesta segunda-feira, no 19.º adiamento da votação.  

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