Exército dos EUA liberta fotógrafo da AP detido no Iraque

Bilal Hussein permaneceu preso por dois anos sem acusação formal por suspeita de colaborar com militantes

Reuters e Associated Press,

16 de abril de 2008 | 12h12

O fotógrafo ganhador do prêmio Pulitzer, Bilal Hussein, que trabalha para a agência de notícias Associated Press, foi libertado depois de dois anos detido pelo Exército norte-americano no Iraque sem nenhuma acusação formal, disse a AP nesta quarta-feira, 16.   O fotógrafo iraquiano, de 36 anos, foi entregue a colegas da agência de notícias em um posto de controle da capital do país, Bagdá. Aparentemente, ele estava com boas condições de saúde. "Passei dos anos preso, ainda que seja inocente", disse Hussein após ser libertado. O Exército dos EUA acusou Hussein de ter vínculos com os insurgentes, porém sem apresentar nenhuma acusação formal. Em dezembro, autoridades militares levaram o caso de Hussein à justiça iraquiana, para um possível processo.   "Depois de dois anos e quatro dias de cativeiro, Bilal Hussein está de volta à AP", disse Thomas Curley, presidente e chefe-executivo da AP, em encontro com editores de jornais norte-americanos, em Washington. Curley disse que tinha acabado de saber da libertação de Hussein. "Eu quero agradecer a todas as pessoas da AP ... Eu passei dois anos na prisão, mesmo sendo inocente. Eu agradeço a todos", disse o iraquiano Hussein, após ser libertado. O fotógrafo foi libertado depois que o Exército norte-americano reviu o caso e determinou que ele não representava mais uma ameaça à segurança. Isso aconteceu depois que um painel judicial iraquiano decidiu retirar as acusações contra Hussein e ordenou que ele fosse libertado sob a lei de anistia, aprovada pelo parlamento em fevereiro. Hussein foi capturado em Ramadi, capital da Província de Anbar, em abril de 2006 - época em que uma insurgência de árabes sunitas agitava a vasta região desértica. Ele fazia parte do time de fotografia da AP que ganhou um Pulitzer em 2005. Em um comunicado divulgado na segunda-feira, o Exército dos Estados Unidos disse que Hussein foi acusado de possuir materiais para a fabricação de bombas e de ter conspirado com os insurgentes para fotografar explosões direcionadas às forças de segurança. Muitas das 23 mil pessoas em poder do Exército norte-americano no Iraque não foram julgadas, mas continuam presas por serem consideradas um grande risco à segurança. Hussein é apenas um dos vários jornalistas iraquianos presos pelo Exército sem passar por julgamento. Jornalistas da Reuters também já foram detidos por alguns meses, mas soltos sem nenhuma sentença.

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