Exército egípcio pede desculpa após confronto com manifestantes

Protestantes se reuniram para exigir maiores transformações políticas e acusaram governo militar de 'trair o povo'

Reuters,

26 de fevereiro de 2011 | 11h26

CAIRO - Soldados egípcios usaram força no sábado, 26, para reprimir um protesto exigindo mais transformações políticas no Egito, no incidente mais grave até agora contra os manifestantes, que acusaram o governo militar do país de "trair o povo".

Os manifestantes disseram que soldados dispararam para o alto e agrediram manifestantes com paus depois da meia-noite para dispersar um protesto que exigia de militares a aprovação de reformas mais profundas, incluindo uma revisão completa do gabinete.

O Conselho Supremo das Forças Armadas, que governa o Egito desde que o presidente Hosni Mubarak deixou o cargo, pediu desculpas e afirmou não ter havido nenhuma ordem para atacar os manifestantes e que o incidente não foi intencional.

Os manifestantes detidos durante a noite seriam liberados, segundo o conselho, que não informou o número de detidos. O governo afirma que "infiltrados" jogaram garrafas e pedras contra os soldados.

"O que aconteceu ontem à noite foi... o resultado não-intencional de uma altercação entre a polícia e os filhos da revolução", afirmou o conselho em uma página no Facebook que se tornou uma das principais ferramentas em seu esforço de relações públicas.

Ashraf Omar, um manifestante, disse que os soldados usaram cacetetes contra os manifestantes. "Eu pensei que as coisas iriam mudar. Eu queria dar ao governo uma chance, mas não há nenhuma esperança com esse regime", disse ele.

O conselho militar prometeu mudanças constitucionais em direção a eleições livres e justas no prazo de seis meses. O Conselho da Magistratura com a tarefa de elaborar as reformas constitucionais deve anunciar suas propostas em breve.

Gerenciando assuntos domésticos pela primeira vez em décadas, os militares também querem que os egípcios voltem ao trabalho para revitalizar a economia, drenada por semanas de turbulência com a revolta popular que derrubou Mubarak, em 11 de fevereiro.

Milhares de pessoas se reuniram na Praça Tahrir, na sexta-feira, para exigir reformas mais amplas, incluindo a substituição do primeiro-ministro, que foi nomeado pelo presidente deposto nas últimas semanas de seu governo e serviu por muito tempo em sua administração.

Ao amanhecer, uma dúzia de manifestantes que permaneceram na praça afirmava que o Exército atacou o protesto. Ativistas detidos dizem que "o Exército traiu o povo."

Um motorista de táxi discutiu com um manifestante, dizendo: "As pessoas não conseguem encontrar comida". A opinião dele ecoa os sentimentos de muitos egípcios de que a manutenção dos protestos no momento apenas obstrui o retorno à normalidade.

Mais protestos. Centenas de manifestantes ocuparam novamente a Praça Tahrir hoje carregando faixas e bandeiras. Até a tarde de hoje, centenas de pessoas se concentravam no local, que foi o epicentro dos protestos públicos que forçaram a renúncia do presidente Hosni Mubarak em 11 de fevereiro.

"Sentar-se para derrubar o regime de verdade" e "Que caia, que caia o regime," diziam os cartazes que dois manifestantes que estavam reunidos na praça, segundo a Efe.

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