Exército israelense conclui retirada militar da Faixa de Gaza

Soldados saem do território palestino um dia depois da visita do secretário-geral da ONU e da posse de Obama

Agências internacionais,

21 de janeiro de 2009 | 07h36

Israel anunciou que completou nesta quarta-feira, 21, a retirada de tropas da Faixa de Gaza, iniciando o relacionamento com o novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deixando os territórios palestinos devastados por uma ofensiva de 22 dias. Os ataques israelenses, lançados em 27 de dezembro, mataram cerca de 1.300 palestinos e deixaram milhares desabrigados. Autoridades médicas de Gaza disseram que há pelo menos 700 civis entre os mortos palestinos. Israel diz que centenas de militantes morreram.  Dez soldados israelenses e três civis atingidos por ataques de foguetes também morreram no conflito.   Veja também: Chefe da ONU pede inquérito em Gaza Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques       O momento da retirada reflete as esperanças israelense de encerrar a crise em Gaza antes da chegada do presidente Barack Obama. A retidada das tropas israelenses ainda foi concluída um dia depois da visita do secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, ao território palestino. Ban pediu na terça para que seja aberta uma investigação sobre as mortes de civis nos ataques israelenses e prometeu o envolvimento da ONU para esclarecer o conflito.   Ban, o primeiro líder internacional a entrar em Gaza desde junho de 2007, quando o Hamas expulsou o Fatah - partido do presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas - do território, qualificou a atual situação de "desoladora". "Foi especialmente difícil e triste para mim, como secretário-geral da ONU, não poder encerrar (a guerra) mais rapidamente", admitiu Ban. O sul-coreano ainda advertiu que Israel e o Hamas devem agora "se conter ao máximo e contribuir com a trégua". Apesar das tentativas, Ban não participou pessoalmente das negociações de uma trégua, coordenadas por Egito e França. Mas a crise em Gaza teria sido um "fracasso político coletivo", defendeu.   O Exército assinalou que as tropas estão concentradas no lado israelense da fronteira, preparadas para entrar em ação no caso de um novo ataque dos militares muçulmanos. "Nessa manhã, os últimos soldados das forças de defesa israelenses deixaram a Faixa de Gaza e as forças estão do lado de fora de Gaza preparadas para quaisquer ocorrência", disse um porta-voz do Exército 13 horas depois da posse de Obama. O antecessor de Obama, George W. Bush, apoiou o direito de Israel defender-se contra os foguetes disparados da Faixa de Gaza por integrantes do grupo Hamas. Antes de assumir a Presidência, Obama evitou falar em detalhes sobre a crise em Gaza.  Em Washington, o presidente Barack Obama planeja nesta semana nomear George Mitchell como o enviado dos EUA para o Oriente Médio, para lidar diretamente com o conflito entre israelenses e palestinos, segundo o jornal Washington Post. Mitchell já ocupou função parecida lidando com a Irlanda do Norte.   O Exército condicionava uma retirada total ao fim do lançamento de foguetes no sul de Israel realizado por militantes palestinos. A trégua corre bem, porém o Exército não completou a retirada antes de Barack Obama assumir a presidência dos Estados Unidos, na terça-feira.   Dados do Ministério da Saúde palestino afirmam que mais de 1.300 pessoas morreram, incluindo 410 crianças e cerca de 100 mulheres. Outras 5.300 pessoas ficaram feridas, entre elas 1.855 crianças e 795 mulheres. O escritório palestino de estatísticas informou que 4.100 residências foram totalmente destruídas e outras 17 mil danificadas na ofensiva.      

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