Exército libanês inicia operação para restaurar ordem

Militares assumem a segurança do país após confrontos com opositores que deixaram mais de 80 mortos

ALISTAIR LYON, REUTERS

13 de maio de 2008 | 08h54

O Exército libanês ampliou suas patrulhas nesta terça-feira, 13, como parte da operação destinada a restaurar a ordem após uma semana de confrontos entre militantes do governo e de Hezbollah, que deixaram o país à beira de uma nova guerra civil.   Veja também: Em meio a crise, Líbano adia eleições para 10 de junho Advogado brasileiro no Líbano relata o clima e tensão no país  Entenda as divisões e a crise política O Hezbollah e seus aliados, com apoio do Irã e da Síria, chegaram a expulsar os seguidores do governo de partes de Beirute e das montanhas a leste da capital. O Exército, temeroso de dividir suas fileiras em linhas sectárias, manteve-se neutro no conflito, que matou pelo menos 81 pessoas e feriu 250.  A polícia disse que só 62 mortes foram registradas, mas fontes oficiais admitem que a cifra ainda deve subir. Em geral, o Líbano vive seu dia mais tranqüilo desde 7 de maio, quando o governo anunciou a intenção de destruir a rede clandestina de comunicações do Hezbollah, além de demitir o chefe de segurança do aeroporto de Beirute, que era ligado ao grupo. A facção xiita viu nisso uma declaração de guerra e imediatamente tomou o porto de Beirute e outras áreas. Em seguida, o Hezbollah entregou suas novas posições ao Exército. Na noite de segunda-feira, a cúpula militar anunciou que a partir das 6h (0h em Brasília) estaria proibida qualquer presença armada nas cidades e aldeias, e que haveria uso da força se fosse necessário. Uma fonte oficial disse que a ordem aos soldados era de prender qualquer pessoa vista com armas nas ruas, ocupar as posições dos militantes e apreender arsenais. Para analistas, a iniciativa não foi vista como um desafio ao Hezbollah, e na verdade pode ter sido coordenada com o grupo, que talvez tenha interesse em mostrar um controle do Exército quando da chegada de mediadores árabes, na quarta-feira. As tropas ocuparam mais posições que antes eram controladas pelas forças do líder druso Walid Jumblatt, que é simpático ao governo. O feudo dele nas montanhas estava desde domingo sob poder do Hezbollah.  "A situação da segurança na montanha está estável depois do avanço do Exército", disse Akram Shuhayeb, parlamentar ligado a Jumblatt.    Mas em Aley, uma estância climática no leste do Líbano, o quitandeiro Wassim Timani, simpatizante de Jumblatt, queixava-se de que o Exército está ali "só para se mostrar".  "Ele não vai conseguir fazer nada se a trégua for violada. Demonstramos todo respeito, mas não vamos entregar nossas armas.". O Exército também ampliou sua presença na cidade de Trípoli (norte), onde durante a madrugada houve pequenos confrontos entre atiradores sunitas (governistas) e alauítas (aliados do Hezbollah).

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